domingo, 7 de agosto de 2011

Carta do Leitor

Texto do meu amigo António Rodrigues, hoje a viver na Gafanha da Nazaré (Ílhavo).

O Andorinha

Vivi em Vidago parte da infância, a minha adolescência e um pouco da idade adulta, e, embora não tenha nascido na terra, é daqui que sou. Dizem que somos do lugar onde fomos felizes e que idade mais feliz há que a da nossa meninice?

As brincadeiras da rua tinham a bola principal razão das nossas vidas e, ao domingo ver o Vidago F.C. era o culminar desta paixão absoluta pelo futebol. Eu e os outros miúdos, cedo nos habituamos aos ídolos locais: o Andorinha na baliza ou na frente, a velocidade do Armando no ataque, a autoridade do Roxo na defesa, as fintas do Mário Cardoso…

O Andorinha tinha uma claque de mulheres junto à lateral perto da baliza, que gritavam sempre que a bola sobrevoava a pequena área e só sossegavam ao vê-lo pegá-la. Ao mais pequeno encosto que sofresse, havia pronta na boca meia dúzia de mimos, para saberem quem era intocável dentro do campo. Quando as coisas não corriam muito bem para a equipa, lá ia o Andorinha para o ataque tentar alterar a situação. Era ainda o capitão da equipa e tinha mais a qualidade, fruto da sua actividade como técnico de farmácia, de acudir a qualquer situação, acidente ou lesão de qualquer atleta em campo, fosse ele da casa ou adversário. Tanta coisa para um homem só!

Ao longo dos muitos anos que jogou no clube deixou também um rasto de simpatia, dedicação e de integridade. Lembro-me de ver o Vidago jogar fora, e ele chegar a ser também acarinhado pelo público da equipa adversária ao fazer qualquer defesa. Em vez das tradicionais bocas, recebia um comentário brejeiro, do género de que estava era com sorte a mais e que mais tarde ou mais cedo lá haveria de sofrer o golito. Ora isto, fora de portas, no futebol não é coisa que se veja todos os dias…


(Equipa do VFC de 1975 - Capitão Andorinha)

Há uns tempos atrás, aqui perto de Aveiro, onde resido, fui buscar o meu filho ao treino do futebol e, enquanto esperava, à conversa com outros pais, recebi um comentário de um deles ao saber que eu era de Vidago: - Ouça lá! Você sabe quem é o Andorinha?


(Equipa do VFC de 1982 - Capitão Andorinha)

Depois do futebol, António Manuel Pires de Almeida, continuou, quer na farmácia, quer como autarca na senda dos triunfos e com óptimos desempenhos ao serviço da população de Vidago. Um excelente exemplo de dedicação e entrega, que lhe deve ter valido não só muitos amigos, mas, seguramente, também, um lugar cimeiro no difícil campeonato do chamado serviço público verdadeiro.


Trata-se de um ilustre vidaguense a quem as gentes de Vidago muito devem!

Tó Rodrigues - 2011

Um abraço e até breve...

1 comentário:

António Barreira disse...

É verdade Tó. Os quatro referidos marcaram várias gerações pelos motivos que tu expuseste tão bem. Também eu recordo com tanta saudade essa camisola branca. Que pena não me encontrar nessas fotografias. Bem procurei.
António Barreira