Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas de Floripo Salvador. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas de Floripo Salvador. Mostrar todas as mensagens

domingo, 18 de dezembro de 2016



SÉRIE TELEVISIVA, VIDAGO PALACE

- EVOCAÇÃO DOS FIGURANTES

Atingiu-se o epílogo dos trabalhos inerentes à realização da série VIDAGO PALACE. Dois meses após o início da rodagem da série televisiva desmontou-se o palco onde a mesma se desenrolou: essencialmente, o interior do Palace Hotel e a sua deslumbrante área envolvente.
Falando por mim, acreditem que não imaginava a envolvência em meios humanos e técnicos que requer um trabalho desta natureza. Não fazia nenhuma ideia do preciosismo e do rigor que são exigidos aos actores, aos técnicos e, vejam bem, até aos simples figurantes. Não imaginava que seria possível o Verão ser no Inverno e o Agosto ser em Novembro. Porém e pelos vistos, tudo as novas tecnologias conseguem. Não sabia que os óculos que para aí usamos eram uma miragem em 1936. Também pensava que as braceletes dos relógios, naquele tempo, também podiam ser de metal.
Falando mais a sério, acho que foi uma bela oportunidade que a empresa (da qual fazem parte os nossos amigos, Carlos Silva e o José Augusto) nos deu de participar na série VIDAGO PALACE. Por esse facto também penso que lhes devemos estar muito gratos e aqui deixar-lhes o nosso reconhecimento. Julgo termos enriquecido os nossos conhecimentos no que concerne a toda a engrenagem inerente a uma série televisiva. 
Daqui levamos uma quantidade de recordações. Algumas verdadeiramente pitorescas, outras muito agradáveis e outras ainda, mais penosas (esperar horas a fio o momento de entrar em cena é algo que ninguém gosta) mas todas farão parte de um interessante trabalho que desenvolvemos e que deixaremos aos nossos amigos e descendentes com a convicção de que (não obstante sermos inexperientes na matéria) nos portámos o melhor que pudemos e soubemos.
Recordemos o primeiro dia em que chegámos à “Base” – antigo balneário do Palace - e nos enfiaram em indumentárias, aparentemente, esquisitas mas que, com o decorrer do tempo nos habituámos a gostar e, até, a achar-lhes graça quanto a uma ou outra disfarçada nódoa, a braguilha a que faltava um botão, uma bainha descosida, um bolso roto, ou um sapato mais desajeitado! Era ali, na chamada “Base” que alguns de nós se despiam da sua realidade quotidiana e se vestiam, para a ficção, de hóspedes ricos do Palace (como foi o meu caso) ou incumbidos de outras funções hoteleiras. Hóspedes ricos e do Palace: duas coisas que qualquer um de nós gostava de ser mas, de facto e infelizmente, não somos. Depois, esperavam por nós cabeleireiras, cabeleireiros e caracterizadoras que, com um precioso primor, nos preparavam para enfrentar a câmara com o melhor aspecto e rigor possíveis. A este propósito, evidencie-se a perda de quota de mercado que os profissionais deste ramo, sofreram, essencialmente, em Vidago e Chaves, durante o período das filmagens. Eu, por exemplo, já não vejo o meu barbeiro desde o Verão passado! Entre outros profissionais, todos solícitos e competentes, jamais nos esqueceremos da Natália, do Tiago e das carinhosas meninas que no vestiário nos davam os últimos retoques no atavio das indumentárias, sempre com ternurenta docilidade.
Tão depressa não se dissiparão dos nossos ouvidos expressões como: silêncio que estamos a filmar: dizia o Diego; por favor silêncio: repetia o Lopes: atenção aos telemóveis, companheiros, silêncio, por favor: ameaçava o Diego. O Carlos Silva, no seu jeito brincalhão reforçava a advertência pondo o dedinho no nariz ou nos seus lábios, com um “shiuuuu” persuasor e, às vezes, até, dissuasor!
Depois aguardávamos, expectantes, o ”tiro de partida” que provinha da voz bem timbrada do Henrique Oliveira dizendo: “acção”. E lá aguardávamos nós o momento que nos havia sido indicado para mexer as pernas, os braços, ou os lábios. Nada mais que isso. O que nos custava mesmo era ouvir: “vamos a mais uma” na voz do Henrique Oliveira ou “só mais uma” na voz galega do Diego quando já tínhamos repetido 3, 4 ou 5 vezes. Meio a brincar e meio a sério eu, às vezes, dizia: vamos a mais uma das dez que ainda faltam! Uma ou outra vez, e após umas horas de trabalho, lia-se nalguns rostos um certo cansaço e, até, um desejo de ouvir do Diego a expressão: ”figuração, por hoje pode ir embora, obrigado”.
Uma ou duas vezes por dia aparecia-nos o sorrisinho simpático da Adelaide Megre com um tabuleirinho com umas pequenas sandes para mitigar a fome e, às vezes, também um cafezinho para nos estimular o sangue e levantar a moral. Um outro momento que também nos dava algum alento, suavizando os efeitos de horas e horas de trabalho, era quando o Carlos Silva ou o José Augusto nos transmitiam a ordem para almoçar, no refeitório do pessoal do Palace Hotel. Associado a este acto, também nunca esqueceremos aquelas “estéticas” babetes de vulgar e reciclável plástico que colocávamos uns aos outros, por uma maior comodidade, e que tinham por fim evitar consequências de maior nas nossas queridas e ocasionais indumentárias!
Tanto que nós, figurantes, poderíamos aqui recordar a propósito desta experiência inolvidável que foi a de participar na série televisiva VIDAGO PALACE. Todos esperamos, que venha a ser um grande êxito para os seus produtores e, também, para a RTP e TV Galiza. Obviamente, que todos nós formulamos votos que esse êxito tenha consequências positivas, em várias vertentes, para Vidago e toda esta região. 
Gostaria de lembrar que uma infinidade de questões inerentes ao romance VIDAGO PALACE e a tudo que envolveu a rodagem da série televisiva pode ser acompanhada através do blogue MEU VIDAGO que o seu titular, Júlio Silva, irá certamente disponibilizar-nos.
Também acho oportuno satisfazer a curiosidade de muita gente no que se refere aos intérpretes e personagens que deram corpo a VIDAGO PALACE e que a RTP trará às casas de todos nós, lá para Maio do próximo ano. Actores, muitos deles bem conhecidos do meio artístico português, que muito nos honraram com a sua presença e que levarão o nome de VIDAGO e desta região a todos os cantos de Portugal e a muitos pontos do estrangeiro:
Almeno Gonçalves “ Conde de Caria e dono do Palace”; Anabela Teixeira “Lívia e Condessa do Vimieiro e mãe de Carlota”; António Cordeiro “Golfista (desistente da Série)”; António Mourelos “Alberto”; Beatriz Barosa “São da Silva, filha de Bonifácio e de Benvinda”; Bruno Schiappa “o alemão, Florian Klotz”; Carolina Amaral “Emília”; Catarina Campos Costa “Laura”; Cristina Homem de Mello “Júlia”; Custódia Galego “Cremilde e mana perliquitete” David Amor “Pepe”; David Novas “Xoan”; David Seijo “Pedro e empregado do Palace que arrebatou o coração de Carlota”; Eva Fernandez “Xenoveva”; Fernando da Costa “Ignácio Aranguez”; Hugo Mestre Amaro “Felix”; Jacob Jan de Graaf “Taylor”; João Didelet “Bonifácio da Silva, marido de Benvinda e fazendeiro rico”; José Mora Ramos “Tenente Coronel”; Manuel Tur “Guarda Civil”; Mikaela Lupu “ Carlota e traidora de César da Silva”; Pedro Barroso “César da Silva e, angustiado, namorado de Carlota”; Marcantónio del Carlo “Martim, Conde de Vimieiro e pai de Carlota”; Margarida Marinho “Benvinda da Silva, brasileira e mulher de Bonifácio da Silva”; Maria Henrique “Gertrudes e mana perliquitete”; Mariana Magalhães “Rosa”; Patrícia Queirós “empregada da Fonte”; Pedro Frias “ Dr. Mota Torres”; Pedro J. Ribeiro “Sargento Fernandes”; Pedro Mendonça “Samuel Cohen”; Pedro Roquete Almeida “David Taylor”; Ricardo Leite “Cerdeira”; Ricardo Trepa “professor de ténis”; Sérgio Praia “Lopes”; Sérgio Quintana “Xerardo Trancoso”; Sheila Fariña ”Dolores Câncio”; Sílvia Santos “empregada das termas”; Susana Mendes “Natasha” e Xosé A. Torriñan “Padre Raimundo”. 
Para terminar, eu queria dizer, principalmente àqueles que eu não conhecia, que foi um prazer enorme comungar convosco deste trabalho maravilhoso. Todos nós, figurantes, revivemos um romântico espaço de tempo da primeira metade do século passado desfrutando, inebriados, a rica diversidade botânica do parque termal de Vidago, a beleza luxuriante do seu lago e todo o esplendor do seu Campo de Golfe. Deslumbrámo-nos, também, com a secular riqueza arquitectónica do Palace Hotel, cuja sumptuosidade do seu interior nos fez sonhar com autênticos contos de fadas. Por tudo isto valeu a pena esta inesquecível recordação que todos levamos da série televisiva, VIDAGO PALACE a qual guardaremos, de forma perene, no fundo dos nossos corações.

Floripo Salvador
Dezembro 2016





segunda-feira, 5 de setembro de 2016


FÉRIAS DUM JORNALISTA

Hoje estou a pensar num livro escrito em 1943, pelo jornalista João Paulo Freire (Mário). O meu amigo, Dr. Júlio Silva, colecionador apaixonado por tudo quanto alude a Vidago e à região que circunda esta vila termal e, também, responsável pelo blog "MEU VIDAGO", fez chegar às minhas mãos esta verdadeira relíquia. O autor do livro compilou, de forma isenta e cativante umas quantas histórias verídicas relativas a esta região, num tempo bem longínquo (eu nasceria apenas cinco anos depois desta obra ser publicada). FÉRIAS DUM JORNALISTA é um excelente trabalho de pesquisa das diversas facetas que caracterizavam Vidago e seus arredores na década de quarenta do século passado.
O seu trabalho recorda os campeonatos internacionais que, já nesse tempo, se disputavam no Campo de Golfe de Vidago e faz referência à higiene, salubridade e exercício físico, ao ar livre, que a modalidade permite.
Evoca Artur Patrício, fotógrafo e alfarrabista que deu a Vidago muito do seu trabalho e amor. Recorda o génio desta arrebatadora figura que encenava peças teatrais às quais emprestava a sua única figura física como intérprete.
Fala-nos da Praia Fluvial de Vidago e enaltece a sua privilegiada localização. Evidencia-a como um encanto de bom gosto, uma nesga de civilização e um oásis entre paisagens agressivas. Recorda a sua represa, os barquitos de recreio, o salão de chá e uma esplanada encantadora.
O autor sentia um particular carinho por toda a zona de Salus. O Hotel do Golfe era o seu preferido, assim como a respectiva Fonte. Dizia mesmo que quando se desse a atenção a este espaço que se deu a Pedras e Vidago, Salus emergiria pujante.
O livro fala-nos da aldeia de Oura, das suas ruas tortuosas, de casas do século XVIII e de uma sua capela do Cruzeiro. Relata-nos passagens da sua visita à aldeia de Vila Verde e da forma descuidada em que (segundo ele) se encontrava o cemitério local, naquele tempo. Descreve algumas casas apalaçadas e recorda uma com brasão. Evoca a figura do lavrador, Vidal, e da sua produção agrícola, não esquecendo o delicioso melão e o suculento presunto que se comia em sua casa. De Vidago fala-nos do Hotel do Golfe e do seu amigo, Manuel Dias, então director daquela unidade hoteleira. Recorda o lago existente do hotel mas, com muita pena sua, sem peixes que lhe dessem mais vida. Também de Costa Pinto, advogado de Vila Pouca de Aguiar e da conhecida figura do parlamentar, Nicolau Mesquita, nas Pedras Salgadas. Recorda as caminhadas que ambos faziam subindo a serra que dá para a Freixeda e lembra os montanheses que por ali viviam e trabalhavam em situações adversas. Recorda a penosa, mas paisagisticamente bela, viagem de comboio a partir da Régua, para Pedras Salgadas, Vidago e Chaves e descreve os apeadeiros de Oura, Salus e Campilho com algum pormenor, não esquecendo os frequentes incumprimentos dos horários dos comboios da Linha do Corgo, naquela altura. Faz indispensáveis comparações entre as termas de Pedras Salgadas e de Vidago, de então. Comenta o funcionamento do Casino das Pedras Salgadas.
Por último descreve-nos a importância das águas termais de Vidago e Pedras Salgadas no domínio da saúde pública. Revela as especificidades de cada fonte neste domínio, no que concerne às necessidades da infinidade de enfermidades. 
Enfim, ler FÉRIAS DUM JORNALISTA é uma espécie de romagem de saudade a uma estância termal cosmopolita da primeira metade do Século XX. É percorrermos recantos aprazíveis que o desenvolvimento sacrificou. Ao lermos o que este homem escreveu sobre Vidago e arredores sentimos uma certa nostalgia. Porém, conforta-nos o facto de sabermos que não é indispensável ser-se biologicamente vidaguense para que se sinta uma inexplicável paixão por esta terra e sua vizinhança. João Paulo Freire (Mário) foi prova disso mesmo.
Se o leitor desta crónica sente por Vidago o amor que aquele jornalista dizia sentir, procure num qualquer alfarrabista esta obra arrebatadora que narra histórias pitorescas sobre a Estância Termal de Vidago. Não se arrependerá, julgo.




Floripo Salvador
Setembro 2016

segunda-feira, 1 de agosto de 2016



EMIGRANTES

Eles aí estão, de novo, a matar saudades dos familiares, dos amigos e da Pátria. Descortina-se nos seus olhos um ar radiante. É Verão. O tempo quente ajuda à diversão e à frequência das belas praias de areia fina. As romarias das aldeias mais recônditas não podem passar sem a presença e colaboração deles. Toda a economia dos locais que frequentam floresce neste mês de Agosto - o mês dos emigrantes por excelência.

Devemos recebê-los com simpatia e carinho. Eles trabalham, arduamente, um ano inteiro em locais longínquos do seu País, aguardando que chegue esta altura. Por cá, distribuem beijos e abraços, convivem com familiares e amigos e conferem a esta estação quente o brilho característico de quem nunca esquece a sua terra.

Um sentimento de gratidão e muito respeito é o que lhes devemos.

Boas férias a todos eles são os votos que os que por cá residem têm obrigação de formular.

Floripo Salvador
1 Agosto 2016



(Autoestrada A24 - foto de Júlio Silva)


terça-feira, 21 de junho de 2016


BALNEÁRIO PEDAGÓGICO DE VIDAGO

DIVULGAR É PRECISO!


Agora que o novo balneário termal entrou, efectivamente, em funções julgo haver uma premente necessidade da sua indispensável divulgação para benefício dos potenciais utentes e eficaz rentabilização da  extraordinária e moderna Instituição.

Caberá, certamente, aos responsáveis pelos serviços a prestar pelo BPV a sua divulgação, direi imediata, através dos vários órgãos de comunicação social regionais e, também, nacionais. Aguarda-se que possa aparecer alguma publicidade estática nos diversos painéis que existem, para esse efeito, principalmente nas sedes de concelho desta região.

Também julgo ser importante o papel que a cada um de nós (cidadãos comuns) cabe e que consiste em divulgarmos a Instituição no âmbito das nossas relações sociais. Afinal, todos quantos por aqui vivem serão, directa ou indirectamente, beneficiados com esse trabalho.

Floripo Salvador
Junho 2016
(Fotografias de Pedro Alegria - montagem de Júlio Silva) 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015


O São Simão em Vidago

Celebra-se no próximo dia 28 do corrente mês de Outubro o dia de São Simão. São muitas as localidades do nosso país em que a efeméride é aproveitada para a realização das designadas feiras anuais de São Simão.
Naquela data, também em Vidago, se leva a efeito esta típica e secular feira. Noutros tempos, essencialmente na primeira metade do século anterior, o São Simão em Vidago revestia-se de considerável protagonismo regional dadas as específicas características da mesma. 

Eram tempos em que as trocas comerciais, nomeadamente de índole agrícola, assumiam enorme riqueza e diversidade de produtos. Os camponeses de toda a região viam na feira uma das grandes oportunidades anuais de transacionarem os seus produtos. O São Simão coincide com uma época do ano em que as colheitas estão praticamente efectuadas. Principalmente as nozes, as castanhas, o vinho, a jeropiga, as batatas, o milho e o centeio aguardavam, nesta altura, no celeiro dos agricultores a oportunidade de lhes trazer alguns proventos por forma a providenciarem a compra das sementes para a época que se aproximava e outros bens.

Deve ser realçada a característica muito peculiar de que se revestia a relação dos produtores da região com o comércio local: no dia de feira de São Simão os lavradores, após a venda dos seus produtos liquidavam no comércio da vila as dívidas contraídas ao longo do ano. Nesse mesmo dia começavam a adquirir outros bens que seriam pagos na feira do ano seguinte e assim sucessivamente. Era  a altura propícia, também, para a renovação do vestuário e calçado para toda a família.

Em Vidago, o evento foi pujante em muitas décadas do século anterior. Era uma autêntica romaria que conferia à vila fama e vitalidade regionais consideráveis. Na Estrada Nacional 2, e em frente à fachada do Grande Hotel, barracas de louça de barro vermelho exibiam cornetas, ocarinas e pífaros que faziam as delícias de gente de todas as idades. Naquele tempo, a carismática figura de “Raimundo da Bernardina” era solicitada a dar o aval, antes da compra, da performance do instrumento. Também a “Tia, Alice Padeira” vendia castanhas e jeropiga que confortavam o estômago e alentavam a alma! Na feira aparecia, também, um curioso e musculado exercício físico que consistia em empurrar um carrinho de ferro que, fortemente impulsionado pelo braço humano, subia até provocar o rebentamento de uma bomba!

Noutros tempos, o São Simão entrava pela noite dentro! As castanhas, o vinho e a jeropiga (tão característica desta época do ano) conferiam aos folgazões uma vontade inquebrantável de retardar, o mais possível, o retorno ao lar!

Nos tempos que passam constata-se alguma descaracterização do que foi a secular feira de São Simão em Vidago. A agricultura perdeu a preponderância de outros tempos na vida económica e social de toda a região. O comércio local abandonou as práticas ancestrais de relacionamento com os seus consumidores. Os divertimentos actuais de animação da feira pouco têm a ver com a tradicional popularidade da mesma. Hoje, os produtos transaccionados são comuns aos que encontramos em qualquer superfície comercial dos tempos modernos.

Com alguma nostalgia podemos afirmar que, apenas o sol (mais raro, mas sempre quente e belo nesta altura do ano), pode alegrar e animar um pouco a feira do São Simão em Vidago.

Floripo Salvador
Outubro 2015


(bilhete postal da edição da casa de fazendas e mercearia de António Fraga-Vidago) 



A Capela de São Simão foi mandada construir em 1802 pelo povo e foi até 1942 o primeiro local de culto de Vidago.

Um provérbio para me despedir desta crónica "No dia de S. Simão, quem não faz magusto não é bom cristão."

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014



VIDAGO PALACE 

Quanta beleza
Nos mostra a natureza
Quanto encanto
Nos descobre o seu manto!

Tuas pedras endeusadas
De existência secular
Lembram míticas fadas
Por ali a pairar!

Quantos amores escondidos
Em romances envolvidos
E em tempos de devaneio
Albergaste no teu seio!

Quantas mulheres belas
De silhuetas formosas
Sob copas frondosas
Viveram sonhos de amor
Dignos de figurar em telas
Em quadros multicolor!

Foste palco nupcial
Em majestosa escadaria
Em tarde dominical
Escolhendo tua fantasia
Fazia-se a fotografia
Guardando-se para sempre
O retrato de tanta gente!

Ouvem-se aves que entoam
Autênticas melodias
E o perfume que paira no ar
À memória nos faz chegar
Toda a tua história secular
De tempos que voam
Na espuma dos dias!

No fundo de um vale serrano
Desafias pintores e telas
A contar infinitas janelas
Tantas como dias tem o ano!

Como é interessante visitar-te
E delicioso conhecer-te
Depois, é fácil amar-te
Difícil ignorar-te
Imperioso divulgar-te
E impossível esquecer-te!


Floripo Salvador
Novembro 2014


terça-feira, 25 de novembro de 2014




    HOTEL DO GOLFE

Foram décadas de história
Marcadas na nossa memória!
Quantas recordações
De aquistas e veraneantes
Quantas ilusões
Trocadas por amantes!

Um dia, tudo o fogo levou
E todo o esplendor
Do que foi uma bela flor
Enfim, se esfumou!

Eis agora o que resta!
Um paraíso em escombros
Erigido por humanos ombros
Em tempos que foram de festa!

Quando com ele cruzamos
E o seu fulgor recordamos
Sentimos a nostalgia
Do que de belo ali havia!

São décadas de tristeza
Que apagaram tanta beleza!
Grandes plátanos chorosos
Aguardam ansiosos
A humana piedade
Consentânea com a sua idade!

Haja, porém, a ilusão
De que nem tudo está perdido!
Outros homens virão
E no lugar que está ardido
Ressurgirá um hotel novo
Para alegria do povo!

Floripo Salvador
Novembro 2014


(Bilhetes postais e fotografias de Júlio Silva)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014



Vidago (Rio Pequeno)

Desce, desde tempos ancestrais
De terras de Lagarelhos
Banhou hortas e cereais
Sustentou novos e velhos!

Quantos terrenos agricultados
Foram por ele regados
Quanto pão se criou
Quanto estômago se saciou!

Prateados cardumes ali viveram
Quantos homens ali pescaram
Quantas merendas se comeram
Em tempos que não voltaram!

Em cálidas tardes de Verão
Quantos meninos sem mar
Vestindo humilde calção
Ali aprenderam a nadar!

Quantas mulheres lavaram
À sombra de choupos e negrilhos
Roupa que sujaram
Os maridos e os filhos!

Que saudades das noras
Das suas pancadas sonoras
E dos pachorrentos asininos
Que encantavam os meninos!

Quantos melros e cotovias
Rouxinóis e outras aves
Entoaram belas melodias
Que nos deixaram saudades!

Tem nome de “Pequeno”
Para Vidago foi grande e sereno.
Sê-lo-á por décadas a fio
O nosso querido rio!

Floripo Salvador
Novembro 2014



(montagem de postais antigos - Júlio Silva)

segunda-feira, 3 de novembro de 2014



O Cemitério de Vidago


(Fotografia de Augusto Oliveira)
Visitamo-lo de vez em quando. Sempre que um familiar ou um simples amigo parte, lá estamos, por imperativos sociais e morais, mas também por devoção. Sentimo-nos invadidos por uma força interior muito grande que nos impele ao derradeiro acompanhamento e ao último adeus. Por isso, lá vamos! Silenciosamente, ar pesado e triste, passada lenta e certa. De vez em quando procedemos à obrigatória romagem.

Sempre a existência humana se viu confrontada com a mais radical das situações limite: a morte! Na sua relação com o Criador, a dimensão espiritual do crente vai-se manifestando em palavras e atitudes, actos e gestos. A morte é, de facto, um evento único e irrepetível na vida de cada ser humano! É, pode dizer-se, o horizonte natural da nossa existência. Independentemente da religião que professe, o homem sempre haverá de venerar os seus mortos. Sempre providenciará o seu enterramento, dignificando, consoante a sua mentalidade e também as suas posses económicas, os que desta vida vão partindo!

Quando se chega à minha idade e o cabelo começa a ficar pigarço, toma-se mais consciência da verdadeira realidade que somos e do destino que cada um de nós tem, neste mundo. Ocorre-nos mais frequentemente a incontestável ideia de que, cada dia que passa é menos um neste encontro com Deus. Neste encontro com o infinito - podemos afirmá-lo! Para muitos crentes, e não só, existe vida para além da morte. Respeitemos essa ideia! Porém, o que nos parece inquestionável é o facto de existir morte para além da vida! Mas, tudo isto está muito bem feito! Quase perfeito, diria mesmo! O avanço na idade se por um lado nos pesa (e a muitos de nós aflige porque arrasta, paulatinamente, consigo a debilidade física e a doença) confere-nos, por outro, uma faculdade maravilhosa: uma perfeita resignação ao implacável destino! Aceitamo-lo naturalmente! Isto permite-nos concluir, que Deus não dará, certamente, tudo o que pretendemos. Mas, com toda a certeza, não nos tirará tudo, também.

O avanço na idade vai-nos preparando, quase sem nos apercebermos, para tudo o que faz parte da nossa humana existência. Para a vida e também para o que poderá existir para além dela. Assim, para quem é minimamente crente a Deus, o cemitério não é um lugar muito diferente de uma sumptuosa catedral, de uma simples igreja ou de uma humilde capela. Não direi que o devamos encarar, propriamente, como a nossa residência de hoje (que é efémera) mas, talvez, como a nossa casa futura, que é eterna. Afinal não somos, todos nós, meras figuras em trânsito? Não estamos por cá, mais ou menos, a prazo? Ali constatamos a real e implacável fragilidade da condição humana. É o local próprio para serem evocadas as palavras de Fernando Pessoa, através de um dos seus heterónimos - Alexander Search: Quando, depois da lâmpada quebrada / sua luz vacilante se extinguiu / mais que luz por ela derramada / fica a lembrança do que se partiu.

No cemitério jaz sempre alguém que esgotou a vida física que tinha e a quem quisemos muito. Uma ou mais lâmpadas que nos alumiaram até ao seu limite fisiológico: o pai, a mãe, o irmão, o filho, a esposa, o marido ou, simplesmente, o amigo que eternamente recordamos! Por isso, se não sentimos propriamente alegria por visitarmos o Campo Santo somos, pelo menos, invadidos por uma sensação de grande leveza espiritual que nos conforta e estimula a ali rumar. Também, por causa disso, o Santo Lugar é uma morada como outra qualquer. Apenas definitiva!

O cemitério encerra sempre uma boa parte da história dos seus naturais e dos seus residentes, em suma, a história da sua terra. É uma parte adormecida da localidade – podemos dizê-lo! Quando transpomos o Grande Portão e deixamos que os nossos olhos vagueiem pelo granito e mármore que escaldam no tórrido Verão, ou se apresentam enregelados em manhãs de Inverno, sentimos a estranha mas agradável sensação de folhear um livro sobre a nossa terra. A maior ou menor ostentação patenteada na ornamentação das campas recorda-nos que, à superfície, o cemitério não é, propriamente, um espaço de igualdade. Mas, cada foto, cada nome e cada data forçam-nos a efectuar uma retrospectiva no tempo. A conjugação destes testemunhos traz-nos à memória infinitas recordações, mais ou menos longínquas, mas sempre nostálgicas. Quantas vezes, aqueles três factores identificativos, nos fazem lembrar alguém que, há muito, quase se alojara, inexplicavelmente, no nosso subconsciente. E, naquele momento, a nossa mente faz emergir as memórias que, de facto e desse alguém, nunca perdemos. E, então, sentimo-nos nostálgicos mas reconfortados e felizes.

Não é exagerado dizer-se que o cemitério pode ser, também, um local de reflexão. É verdade! Ali, na presença de tantos ausentes, é o espaço próprio para reflectirmos um pouco sobre os nossos comportamentos que, enquanto estamos à superfície, temos perante os outros. Tantas invejas! Tantos ódios! Às vezes, quantos atropelos e quanta maledicência! Afinal tudo acaba ali. Submerso e silencioso! Quantas vezes, neste local, quando pensamos um pouco nisso, nos questionamos: mas então, o que é o Homem? O que vale, ou não, a pena?

O Cemitério de Vidago espelha um pouco a história passada da vila. A mais antiga e também a mais recente. As inscrições que observamos gravadas nas inúmeras lápides, desde as mais visíveis, porque mais recentes, até às mais remotas (já disfarçadas pela erosão do tempo) levam-nos a viajar numa época mais ou menos distante. Depois, lembramo-nos que ali está, inerte, tanta gente! Gente que foi cumprindo o calendário das suas vidas, uns mais precocemente que outros. Gente que teve algum protagonismo social e económico na terra. Mas, também, gente mais discreta, humilde e quase anónima, mas não menos digna que a restante. E toda essa gente, de um modo ou de outro, com maior ou menor protagonismo, deu o seu generoso contributo para a história da vila. Uma história inapagável!

A edificação do Cemitério de Vidago remonta a 1890 e deveu-se, em boa parte, a substancial contribuição da família Borges, naquela altura proprietária da Farmácia Frederico. Esta família terá doado, para o efeito, terreno aos responsáveis autárquicos da época. Em contrapartida estes terão concedido à família Borges espaço para seis campas que se situariam à entrada do cemitério do lado direito. Mais tarde os descendentes da referida família terão abdicado a favor da Junta de Freguesia de três campas. Conta-se que os abastados empresários daquele tempo, João Oliveira e também Nicolau José Teixeira Alves terão contribuído, significativamente, para a edificação da obra. A preceder o Grande Portão, aquelas escassas dezenas de metros de estreita e íngreme ladeira transportam-nos a uma realidade que desejamos sempre distante, mas à qual, inevitavelmente, não fugiremos nunca.

O Cemitério de Vidago pode ser perfeitamente contemplado da parte mais elevada da vila. Mas também do seu interior se avista a parte mais significativa do aglomerado populacional num belo anfiteatro. Aposta na parte cimeira da grande laje, dali observamos a esguia, imponente e bela Torre do Coto, autêntico ex-libris da parte mais habitada da vila. Em dias de sol, o aglomerado populacional, quase compacto, da zona mais alta de Vidago apresenta-se-nos de uma beleza extraordinária. Em minha opinião, a edificação do Cemitério de Vidago naquele local foi de enorme felicidade e bom gosto dos seus promotores. Saibamos honrar a sua memória!

Floripo Salvador
Novembro 2014

terça-feira, 22 de julho de 2014



Vidago e o Outono da Vida!

A outrora cosmopolita e romântica estância termal pode, num curto prazo, estar de volta. As condições naturais para uma vivência saudável e tranquila sempre existiram. Num hiato de três décadas alguns factores se conjugaram provocando a interrupção do desenvolvimento termal da terra: em minha opinião, durante este período de tempo e na generalidade do país, fazer termas deixou de ser moda; o parque termal de Vidago (como tantos outros) ressentiu-se desse facto e todas as infraestruturas de apoio ao turismo termal e de lazer locais degradaram-se ou ficaram mesmo desativadas. As consequências são sobejamente conhecidas: afamados hotéis e pensões encerraram; o emprego sazonal direto definhou e o indireto foi, fortemente, penalizado.

Porém, nos temos que passam, não obstante as grandes dificuldades económicas e sociais que o país atravessa, Vidago e as suas gentes vislumbram uma luz ao fundo do túnel!

Estão em velocidade segura algumas obras de revitalização do parque termal que muito poderão beneficiar a nossa vila e as pessoas que a habitam. São grande exemplo disso, todo o complexo balnear que vai evoluindo na antiga estação ferroviária e, também, a profunda requalificação das avenidas que servem todo o parque termal. Em consequência existe, naturalmente, a expectativa de criação de algum emprego que possa contribuir para a dinamização do tecido social e económico da vila.

Como resultado dos investimentos que estão a ser efectuados outras atividades, direta ou indiretamente ligadas ao complexo termal, também se admite que possam surgir ou expandir-se conferindo à vila condições de vida que permitam aumentar o volume de residentes.

Numa época bem diferente de outros tempos, as distâncias medem-se, agora, mais em termos relativos que em valores absolutos. Assim, Vidago dista das principais grandes cidades periféricas um tempo de viagem relativamente insignificante: Guimarães (1h); Braga (1,15h); Porto (1,20h) e Viseu (1,30h). Esta realidade permite aos seus residentes uma deslocação rápida a estas cidades para resolução de assuntos de menor acessibilidade local e de natureza diversa.

Nos tempos que se atravessam, e atendendo às suas condições naturais, Vidago tem um conjunto de fortes motivos para que aqui se possa viver em paz, sossego e bem-estar! Não esquecendo o título desta crónica, eu pergunto a quem tem algumas ligações familiares, ou simplesmente sentimentais e afectivas, a Vidago, onde melhor pode passar o outono da vida e, talvez, uma boa parte do inverno da mesma desde que Deus e a ciência o permitam?
As quatro estações do ano têm, todas elas, aqui, o seu particular encanto:

O inverno é rigoroso mas toda a região é gastronomicamente rica e o aconchego do lar é convidativo. As noites são mais frias e longas e o sol voa mais baixinho sobre a vila! Mas sente-se enorme prazer estar à lareira observando o crepitar das fogueiras que vão aquecendo o corpo e rosando a face! É tempo das irresistíveis alheiras acompanhadas dos saudáveis grelos e couve penca!

A primavera cobre a vila de um manto belo e perfumado. Uma enorme diversidade de aves que nidificam nas árvores dos parques e também no pequeno rio que atravessa a vila, em direção ao Tâmega, brindam-nos com os seus chilreios e melodiosos sons.


Quando o verão chega a ramagem veste as seculares árvores das variadíssimas espécies existentes em toda a vila conferindo-lhe grande beleza e frescura. Nesta altura há uma maior afluência à vila de turistas e, também, de gente não residente que visita os seus familiares. A prática do golfe tem o seu maior pico de atividade e, podemos dizer, será a época mais cosmopolita do ano!

Depois vem o outono e, naturalmente, esmorece a vida botânica! Constata-se uma alteração profunda no colorido da paisagem local mas, nem por isso, menos belo! Quem subir ao Coto avista uma paisagem soberba: um matizado de cores infinitas em deslumbrante aguarela veste as árvores que se preparam para a renovação, lá mais para a primavera! É o tempo em que as castanhas dos soutos da região começam a desprender-se dos ouriços e, douradas pelo lume do assador, não tardam a chegar à mesa acompanhadas do novo tinto que, lá para o S. Martinho, aí estará também! É, ainda, o tempo em que surgem os tradicionais cogumelos, consequência das primeiras chuvas!

A prática do golfe, outrora socialmente restrita mas hoje popularizada e em dois campos alternativos, está a tirar a vila do anonimato e a torna-la cada vez mais cosmopolita.


Iremos ter condições, a breve trecho e de forma mais funcional, da prática de exercício físico e de uma vida mais saudável, ao alcance de todos, que vai ser proporcionada pelos melhoramentos de requalificação das avenidas termais. Em caminhadas isoladas ou em grupos de amigos, fruiremos da beleza verde de ambas as margens das avenidas, admiraremos o esplendor arquitectónico do Palace e inalaremos o perfume da natureza irradiado pelas copas frondosas das árvores seculares que o envolvem, em grande parte do ano. Depois, o cantar do cuco na Primavera, da rola brava até bem dentro do Verão, da rola mansa durante todo o ano, do melro, do rouxinol e outros sons da natureza (e que fazem inveja a quem vive no bulício das grandes cidades) entrarão melodiosamente nos nossos ouvidos, criando-nos uma agradável sensação de bem-estar e de que a vida nos foge mais devagar!

Por fim é só pedir a Deus e ao tempo que nos deem mais tempo para poder viver ali!  

Daí, a minha convicção de que vai ser bom viver em Vidago!

Floripo Salvador
Julho 2014

terça-feira, 6 de maio de 2014


Uma enjeitada rotunda!

Já lá vão uns bons anos que que a A24 serve, e bem, a vila de Vidago. A distância relativa que une a localidade às principais cidades do norte de Portugal traduz-se num inquestionável benefício para quem aqui vive e, também, para quem nos visita.

A crónica que hoje levo ao conhecimento dos leitores tem a ver com uma situação duradoura e inexplicavelmente triste que se prende com a rotunda de acesso da A24, à nossa estância termal. Já há dois ou três anos, e porque me parecia tempo a mais para tanto desmazelo, o Jornal de Notícias publicou uma crónica que entendi efetuar sobre este assunto.

Volvidos que são todos estes anos mantém-se o estado deplorável da pobre rotunda que bem poderia ser, para quem chega, o primeiro sinal de vitalidade da fresca e cosmopolita vila. Pelo contrário, o aspecto deplorável da rotunda é bem revelador de um grande desprezo pela localidade e, também, de enorme desconsideração pelas pessoas que ali vivem e, ainda, pelas que nos visitam!

Deixo um desafio! Percorra-se o país e descubra-se onde exista uma situação paralela! Não devo pronunciar-me sobre quem, institucionalmente, caberá a responsabilidade de pôr termo a esta situação. Porém, todos sabemos que haverá, certamente, alguém no âmbito autárquico ou na grande empresa que mais interesses, económicos e turísticos, tem em Vidago, força suficiente para influenciar o arranjo de uma solução para melhorar tão deprimente rotunda!

Floripo Salvador

Maio 2014


domingo, 2 de dezembro de 2012

 
Vidago de ontem e de hoje:



 
 
 
O Olmo foi o berço
Desse Vidago antigo
Que S. Simão abençoava
Quem ali rezava o terço
Ou apenas se deslocava
Para se despedir do amigo!



 


 


Foi terra de ferroviários
E de outros operários
Também de hotéis e pensões
De hóspedes e de ilusões!







Teve praia fluvial
E bela estância termal
Tabernas pitorescas
E plátanos de sombras frescas!
Teve rio generoso
Outrora puro e caudaloso
Cuja água ajudava a viver
E no Verão, conferia prazer!
 
Mas nas suas margens
E no dealbar da Primavera
E em doce quimera
Ainda por ali se escutam
Verdadeiras sinfonias
De rouxinóis e cotovias
Que todos desfrutam!
 
 
Foi terra de amoreiras
Junto à estrada plantadas
Eram pretas e vermelhas
Que os namorados trocavam
Em tardes soalheiras
Enquanto namoravam
Em horas encantadas!
 
Desta terra também fez parte
Uma casa de cinema
Onde gente grande e pequena
Admirava a sétima arte!

Tem águas alcalinas
Saudáveis e cristalinas
Que as suas terras fazem brotar
E muitas doenças sarar!
 

 
Resta o Palace no seu esplendor
O verde em seu redor
Obra imensa e secular
Que a todos faz pasmar!
 
E quem de golfe gostar
E o bucólico silêncio amar
Pode em Vidago viver
Momentos de grande prazer!
 
Floripo Salvador
Outono de 2012