quarta-feira, 20 de abril de 2011

1ª Excursão Lisboa/Vidago - 1910

Ontem recebi, através de email, mais um documento "valioso" e da maior importância histórica para esta nossa vila termal. O documento é um folheto de propaganda da antiga empresa Sociedade de Excursões Limitada, na Rua do Alecrim, nº 20 em Lisboa, onde anuncia uma grande excursão a Vidago, pela ocasião das festas de Camões (10 de Junho) e abertura do Vidago Palace Hotel. A saída de Lisboa seria no dia 7 de Junho às 22H10 e o seu regresso no dia 11 de Junho às 6H15, levando assim 3 dias e meio. O preço por pessoa era de 17$500 reis, onde incluía o bilhete de comboio de 1ª classe e todas as despesas necessárias. Esta excursão tinha a recomendação da Sociedade de Propaganda de Portugal,  sociedade fundada em 28 de Fevereiro de 1906.


Resta-me agradecer ao meu amigo Carlos Caria pelo envio de mais uma peça de grande valor para mim e para este blog.

Agora que a chuva voltou depois de uns dias de verão, o provérbio muda: Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado.
Um abraço e até breve...

sábado, 16 de abril de 2011

Hotel Parque - Vidago

Já publiquei vários bilhetes postais dos muitos hotéis que Vidago teve em outros tempos mas estava em falta com o Hotel Parque.


(bilhete postal da edição da Região de Turismo do Alto Tâmega - não circulado)

Originalmente este hotel começou por funcionar como pensão, só em 1948 é que as instalações foram remodeladas e passaram a hotel de uma estrela. Em 1990 este hotel vai sofrer uma profunda e moderna remodelação que durou dois anos. Com todas estas obras, o hotel ficaria com a classificação de 3 estrelas, equipado com 38 quartos, piscina, campo de ténis, campo de futebol e discoteca.

Sobre a discoteca, tenho a certeza que muitos de vocês que recordarão dela, primeiro com o nome de "Satélite" e por fim a "Vatikano".

Antes de me despedir, deixo-vos um provérbio adequado ao calor que se tem sentido nestes dias de Abril: "Seca de Abril deixa o lavrador a pedir".

Um abraço e até breve...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Hotel Avenida

Hoje decidi voltar ao Hotel Avenida, começando por um bilhete postal a preto&branco e depois por um a cores.

(bilhete postal da edição de Augusto Rodrigues-Vidago - não circulado)



(bilhete postal da edição da Região de Turismo do Alto Tâmega - não circulado)

Esta edição foi a última a ser vendida deste hotel antes do mesmo fechar as suas portas no final do século passado.

Hoje, o hotel encontra-se fechado e cheio de rugas, na esperança de voltar aos ambientes vividos como se vê no primeiro bilhete postal.

Um abraço e até breve...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vidago Palace Hotel - Verão de 1918


(bilhete postal da edição da casa de fazendas e mercearia de António Fraga-Vidago - 14/08/1918)


Desta vez o nosso bilhete postal foi parar às mãos do então Governador do Banco de Portugal, Dr. Inocêncio Camacho Rodrigues.

Tudo se passa em pleno mês de Agosto de 1918 quando um aquista escreve, neste bilhete postal, a seguinte frase "... posso ao menos constatar que cheguei ao meio d´este paraízo que é uma cura em Vidago...".

Depois de tantos anos podemos dizer que o paraíso continua neste pequeno recanto de Portugal, basta vontade...



Inocêncio Camacho Rodrigues (Moura, 1867- 1943)

Governador do Banco de Portugal entre 1911 e 1936 - Político, Professor da Faculdade de Ciências, Jornalista, Director Geral da Fazenda Pública e Ministro das Finanças, Deputado. Colaborador de "A Luta" e "A Pátria".






Um abraço e até breve...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vidago Palace - TSF

Programa NOVA ESTRELAS - TSF

O melhor que se faz no nosso país, no sector público e no sector privado, foi premiado pelo Turismo de Portugal. Os melhores destinos, os melhores hotéis e a melhor gastronomia. Razões de sobra para ouvir de 4 a 14 de Abril, às 09h45 e 16h10, na TSF o turismo de excelência.

O programa de hoje foi dedicado ao nosso Vidago Palace, oiçam...


Clica na imagem para ouvir a emissão

Um trabalho de Joana de Sousa Dias e Herlander Rui, transmitido hoje às 09h45 e 16h10.

Saiba mais sobre os prémios no site Turismo de Portugal


Um abraço e até breve...

sábado, 2 de abril de 2011

1º Raid Fotográfico "Sentir Vidago"

Estão abertas as inscrições para o 1º Raid Fotográfico, intitulado “Sentir Vidago", organizado por este Blog e pela CCV - Casa de Cultura de Vidago e terá lugar na freguesia de Vidago, a 4 de Junho de 2011.

Este Raid fotográfico tem por objectivos a busca valorativa da fotografia enquanto forma de expressão artística dinâmica e multifacetada e estímulo da criatividade daqueles que se dedicam, de forma profissional ou amadora, ao prazer de captar e fixar imagens.


Para consultares o regulamento clica aqui 

Ficha de inscrição directa clica aqui ou fazendo download  da ficha e enviar para o email raidfotografico@gmail.com

Serão premiados os 3 melhores trabalhos com os seguintes prémios:

• 1º Prémio - 1 FIM DE SEMANA (2 PESSOAS) REGIME APA NO HOTEL VIDAGO PALACE*****
 • 2º Prémio - 1 GREENFEE (CAMPO GOLFE) DO HOTEL VIDAGO PALACE*****
 • 3º Prémio - 1 TRATAMENTO NO SPA TERMAL DO HOTEL VIDAGO PALACE*****

Para mais informações contactar o secretariado do concurso através do
966 579 110 / 935 583 131 ou para o email raidfotografico@gmail.com

Este blog agradece, mais uma vez, a parceria do hotel Vidago Palace e os apoios, Junta de Freguesia de Vidago, Chaves Viva, Lumbudus-Associação de Fotografia e Gravura e a Unicer.

Um abraço e não faltes...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Reflexos de outros tempos...

A fotografia, antes de tudo é um testemunho. Quando se aponta a câmara para algum objecto ou sujeito, constroi-se um significado, faz-se uma escolha, seleciona-se um tema e conta-se uma história, cabe a nós, espectadores, o imenso desafio de lê-Ias". Ivan Lima


Em baixo da esquerda para a direita: Antonio (Pé na Cova), Silvério, Toninho do Carneiro, filho do Pé na Cova.

Em pé da esquerda para a direita: Adelino (14). António (Chino).

Não foi possível ainda identificar o nome da criança, quem souber agradeço que deixe o nome.

A cópia desta fotografia foi-me enviada pelo meu amigo vidaguense António Lobo da Silva, filho do falecido António (Chino). A ele, o meu muito obrigado por mais esta lembrança.

Um abraço e até breve...

domingo, 27 de março de 2011

Vidago - Fonte nº 1 - 1910

Há dias, quando olhei e li este bilhete postal, decidi logo comprá-lo porque o mesmo teria pertencido a uma importante família da Beira - Família Paes do Amaral.
A família Paes do Amaral teve um enorme destaque na vida administrativa e política do concelho de Mangualde, eram vistos como os "Grandes Senhores da Beira". A dimensão da sua riqueza no séc. XVIII era enorme devendo-se quer às suas posses originais quer aos matrimónios entre famílias dominadoras de vastas quintas.
Voltando ao bilhete postal, o mesmo foi escrito em Setembro de 1910 e foi enviado para o último Senhor da Casa de Mangualde, José Maria de Sá Paes do Amaral Pereira de Meneses. Este Senhor nasceu a 28 de Julho de 1881 e casou com María Esther Susana Hermínia Solveyra y Tomkisnon de Alvear. Esta Senhora era originária de Buenos Aires mas deste casamento não nasceram filhos, manteve-se em Portugal até ao falecimento do marido em Lisboa em 3 de Dezembro de 1945, regressando à sua terra natal onde permaneceu até falecer em 24 de Março de 1970.



(Bilhete postal da edição de Germano A. Costa - Vidago - Setembro de 1910)
 
O bilhete postal foi escrito por um primo que estava em tratamento e hospedado no Vidago Palace Hotel e foi enviado para o Palácio Anadia, em Mangualde.
 
(Fotografia do Palácio Anadia - Mangualde)

O Palácio Anadia foi construído no século XVIII e foi erigido pela família Paes do Amaral. O interior está luxuosamente decorado, com azulejos e mobiliário da época. Tem em anexo a Capela de S. Bernardo datada do século XVII.
Foi classificado Imóvel de Interesse Público através do Dec. 95/78, Diário da República 210, de 12 de Setembro.

Um abraço e até breve...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Curiosidade...

Mais uma vez, o meu grande amigo Carlos Caria presenteou-me com este "pedaço" de papel. Acontece que nem eu nem o Carlos sabemos qual seria a finalidade deste recibo de balança, poderia servir para pesar as malas dos seus hóspedes para depois despachá-las pelo comboio? Ou simplesmente para os hóspedes se pesarem durante os tratamentos? Uma coisa é certa, o preço era único, 5 centavos, e era a balança nº 1470.
Bem, se houver alguém que saiba ao certo a origem deste recibo, agradeço desde já a sua ajuda em revelar esta pequena curiosidade.

Agradecimentos sinceros ao meu amigo Carlos Caria.

Um abraço e até breve...

segunda-feira, 21 de março de 2011


Discurso proferido na homenagem a Bonifácio da Silva Alves Teixeira.

Exmos. Senhores convidados


Minhas Senhoras e meus Senhores

Agradeço imenso o convite formulado pelos responsáveis autárquicos locais para proferir umas curtas e despretensiosas palavras a propósito desta merecida homenagem a Alves Teixeira.

Neste momento solene, a oportunidade de falar sobre o ilustre e generoso vidaguense que foi Bonifácio da Silva Alves Teixeira confere uma grande honra a qualquer cidadão que goste desta terra. Por essa razão, eu estou feliz e muito orgulhoso.

Alves Teixeira nasceu em Vidago decorria o ano de 1849. Num tempo em que a nossa actual Vila pertencia à freguesia de S. Tomé de Arcossó. Foi filho de António Alves Teixeira e de Libânia da Silva Alves. Os seus pais geraram ainda mais quatro irmãs: Maria Joaquina, Catarina, Cecília e Filomena. Somente a irmã, Maria Joaquina casou, tendo desposado José Manuel de Souza Fraga. Este casal viria a estar na origem da enorme e conhecida família Fraga, desta estância termal.

Na verdura dos seus catorze anos, Bonifácio emigrou para o Brasil onde permaneceria até 1885. No Rio de Janeiro, juntou-se a seu tio paterno, Nicolau Teixeira Alves, importante comerciante que, muito mais tarde, lhe legaria o seu negócio em virtude de vislumbrar no sobrinho grande inteligência e raras qualidades humanas.

O nosso homenageado herdou, para além da parte que lhe coube do património dos pais, a riqueza de seus tios, Nicolau Teixeira Alves e também Catarina, mulher solteira que vivia em Vidago. Uma grande fortuna para aquela época!

A sua situação económica e a vontade de conhecer outros povos e diferentes culturas motivaram-no a viajar por vários países da Europa, Ásia e América. Este facto, culturalmente, tê-lo-á enriquecido imenso. O contacto com outros povos, naturalmente de regiões mais desenvolvidas que a do seu meio, pode muito bem ter influenciado a sua própria formação cívica e ter conferido grande acréscimo à sua cultura geral.

Bonifácio Teixeira morreu solteiro e sem filhos. Considerava-se ateu. Todavia, esta sua condição nunca obstou a que fosse na vida um homem de significativos valores morais. Era grande a sua solidariedade para com o seu semelhante. Fustigado por uma implacável doença na garganta e, quem sabe, por ignorar o temor a Deus, suicidou-se aos sessenta e um anos, no Verão de 1910.

No dealbar da implantação da República, o palco da premeditada desistência da vida foi a sua granítica residência, onde hoje se encontram sedeados os serviços da Junta de Freguesia de Vidago e a Galeria de Arte – Maria Priscila.
Está sepultado no cemitério de Vidago cuja campa está demarcada por um austero e discreto gradeamento de ferro. Ali jaz uma inesquecível figura humana de que todos os vidaguenses bem podem orgulhar-se!

Em 1913, três anos após a sua morte, ficaria perpetuamente ligado à Escola Agrícola Profissional, à qual foi, muito justamente, atribuído o seu nome, uma vez que o projecto desta foi minuciosamente descrito no seu fascinante testamento e financiado pelo seu legado.

É o momento de fazer um forte apelo aos presentes para que leiam e façam uma cuidada reflexão sobre o testamento de Bonifácio Alves Teixeira às gentes desta terra!

Pouco importante se torna saber em que medida o teor do documento foi ou não rigorosamente cumprido. É muito mais relevante, por um lado, evidenciar o espírito altruísta que presidiu à elaboração do mesmo e, por outro, enaltecer a visão do futuro que este homem demonstrava.
A Lei vigente na altura tornava praticamente inexequíveis uns quantos desejos seus, também obstaculizados pelas condições de mercado de então. Por exemplo, sabe-se que a sua casa não foi vendida mas sim adaptada à tal escola de meninas como era seu desejo. Ao longo dos tempos a sua então residência sofreu várias transformações e desempenhou diversas funções. Nos tempos que passam ali funcionam os serviços da autarquia local. Trata-se de um aproveitamento digno, como digna é a memória do seu antigo proprietário. Também a Escola Agrícola nunca funcionou nos moldes exactos por si perspectivados. Porém, continua presente na Vila sob a tutela administrativa do Ministério da Agricultura.

Um outro desejo manifestado no singular testamento foi a construção de uma escola para rapazes com dinheiro seu. Apenas em 1931, vinte e um anos após a sua morte, o seu desejo se transformou em realidade. No lugar do Monte Meão foi adquirida uma casa para esse fim, a Manuel Gonçalves Aleixo, por 30.000$00.

Muito relevantes são as preocupações de carácter ambiental evidenciadas no documento e que são reveladoras de uma mente sã e bem moderna para aquela época. Um século depois, as palavras insertas no seu testamento, a este propósito, ainda sensibilizam quem tem oportunidade de as ler.

O seu texto releva também alguns princípios morais que deveriam reger a conduta dos seres humanos, enquanto simples cidadãos ou no desempenho de cargos públicos. Cem anos depois, que grande actualidade tem este reparo efectuado por Bonifácio Teixeira! Esta importantíssima parte do seu documento evidencia bem a importante referência social que terá constituído o homenageado na então pacata aldeia de Vidago.

Mostra-nos também o que foi a sua preocupação com a educação e formação cívica e profissional, principalmente, dos seus conterrâneos. A formação das crianças como futuro das sociedades do amanhã e a que Bonifácio alude com bastante frequência no texto é nota de merecedor destaque. Defendia a inserção escrita em quadros adequados nas escolas de máximas morais com o intuito de que os homens de amanhã interiorizassem as mensagens nelas contidas. Este pensamento releva bem a formação cívica de Alves Teixeira.
Também não esqueceu os agricultores, homens sacrificados de sempre. Desejou e imaginou um grande desenvolvimento agrícola para toda esta região. Projectava uma Escola Agrícola Móvel da qual viriam a beneficiar todos quantos trabalhavam nas árduas tarefas da agricultura.

Por tantas e tão belas razões Bonifácio Alves Teixeira tem o direito de que consideremos o seu testamento como algo que visava, não apenas legar, generosamente, o seu património ao povo da então aldeia que ele amava e era também a sua, mas, sobretudo, como um documento impregnado de uma enorme nobreza de sentimentos e também imbuído de uma rara visão de um futuro que ele perspectivava, mais para os outros, do que para si próprio.

Por este conjunto de nobres razões este texto que nos legou pode, muito bem, ser considerado um testamento singular.

Saibamos, pois, merecer a verdadeira lição de humanidade, benemerência e
altruísmo que Bonifácio Alves Teixeira nos deixou.


Muito obrigado.

Vidago, 27 de Junho de 2010

                                                                                     Floripo Salvador