terça-feira, 17 de maio de 2011

Margens do Tâmega - 1914

(bilhete postal da edição de Germano A. Costa - Vidago - 1914)


Postal comprado no hotel Avenida e enviado de Vidago para a Rua Bela Vista à Lapa, Lisboa, em 17/09/1914. Em cima dos selos tem o carimbo "Ambulância Corgo" o que significa que o postal foi despachado pelo comboio da linha do Corgo (Vidago-Régua).

Para aqueles que não conseguem identificar o lugar destas margens, ao fundo à esquerda fica Vilarinho das Paranheiras e em primeiro plano estamos muito perto da ponte que atravessa o rio Tâmega, junto à Praia Fluvial de Vidago.

Um abraço e até breve...

domingo, 15 de maio de 2011



Grandes Catástrofes (continuação)
O grande ciclone
Estávamos em quinze de Fevereiro de 1941, quando essa depressão barométrica varreu impiedosamente grande parte do País e com especial incidência sobre a região norte. Um rasto de devastação ficou por toda a parte, provocando incalculáveis prejuízos, sencialmente em habitações e zonas arbóreas.
Consta que a meio da tarde daquele pequeno dia, do menor mês do ano, o céu se encontrava nublado.
Inicialmente, começou por fazer sentir-se um vento pouco forte e acompanhado de alguma precipitação pluvial. Aparentemente, estava-se perante um normal dia de Inverno. Aqui e ali, o vento, em movimentos espirais, exibia alguns redemoinhos, prenunciadores de que algo estranho estaria para acontecer. Bruscamente, eis que o vento e a chuva ganharam força e abundância. Nas humildes e desconfortáveis casas das aldeias, os seus habitantes começaram por ficar inquietos e quase de imediato o pânico apoderava-se de todas as famílias. Lá longe, mas que parecia mesmo ali junto às velhas e frias paredes de granito, ouvia-se o ranger dos troncos e dos ramos mais fortes dos pinheiros, eucaliptos, oliveiras e outras espécies de árvores. Depois, entrava pelos ouvidos de todos o barulho infernal da madeira a rachar, seguido do estrondo provocado pelo derrube implacável das árvores de maior porte. Os telhados mais frágeis eram arrancados em pedaços compostos por várias telhas que apenas se separavam já em pleno voo. Seguidamente, os menos vulneráveis iam, tenebrosamente, cedendo também à cavalgada desenfreada do vento ciclónico. O terror invadiu os lares e gente houve que procurou as formas mais inéditas com o intuito de se proteger da fúria assassina semeada pelo vento e a chuva. Naquele tempo, os lagares vinícolas faziam parte de muitas casas de agricultores. A sua construção granítica foi refúgio para muitos que viam na suas sólidas paredes, um lugar um pouco mais seguro para se recatarem do eventual desmoronamento da habitação.
A noite, que naquela época do ano chega ainda muito cedo, caiu negra e cerrada. As horas iam passando e não havia meio do ciclone amainar. Pelas duas da madrugada, nas redondezas de Vidago, o vento terá atingido a fustigação máxima. Apenas já bem próximo da manhã seguinte abrandaria o flagelo. Quando o dia começou a romper, as pessoas iniciaram a sua aventura fora de portas, incrédulos e atónitos com o que viram e ouviram durante aquelas infindáveis doze horas. Um rasto de incrível devastação deparava-se-lhes desgraçadamente. Os caminhos de acesso aos campos agrícolas estavam completamente obstruídos, tão elevado era o número de árvores de espécies variadas caídas de forma desordenada. A própria Estrada Nacional 2, já naquele tempo vital para a ligação da região ao resto do País, ficou seriamente danificada e transitável, durante alguns dias. Cantoneiros serraram manualmente uma infinidade de troncos, a fim de que pudesse ser restabelecido o fluxo normal de tráfego.
De evidenciar o facto de a zona florestal envolvente de Vidago ser, na época, riquíssima em pinheiro bravo. Essa situação propiciava que os pinhais fossem explorados para a extracção de resina. Nesse ano os meus pais, oriundos do distrito de Leiria, viviam em Arcossó, onde exerciam a actividade resinosa. Por via dos nefastos efeitos do ciclone, tiveram que abandonar completamente a sua actividade nesse ano e regressar à terra natal, procurando outras fontes de rendimento. Como consequência, tiveram uma efémera passagem pelo volfrâmio nas minas da Panasqueira. Enfim, não só a exploração da resina como muitas culturas agrícolas ficariam naquele ano, em suspenso, com consequências económicas desastrosas para quem, essencialmente, vivia dos magros recursos da terra.
Em Vidago, para além de serem afectados bens comuns a outros locais da região, ficariam para a história da vila o desaparecimento de um dos dois grandes eucaliptos, junto ao portão principal do Grande Hotel. Na sua queda, a enorme árvore derrubou a varanda de Albina Braz que se situava no edifício por cima da meia-laranja. Também o majestoso e secular olmo, que esteve na origem do nome do Largo mais antigo e emblemático da vila - o Largo do Olmo - tombaria em consequência da devastação ciclónico.

in Memórias de Vidago - 2004
Floripo Salvador

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Vidago - Vista Parcial de 1929

"Minha querida Mãe,

Chegamos bem, mas a viagem foi tormentosa, por causa do calor infernal que fez durante ela. Desejamos muito as melhoras de todos. Beijinhos do ....."


(bilhete postal da edição da casa de fazendas e mercearia de António Fraga - Vidago - 13/08/1929)

Este texto foi escrito no verso deste bilhete postal em pleno verão transmontano, estávamos em 13 de Agosto de 1929.  Este postal foi enviado de Vidago para a mãe deste senhor que morava em Sacavém.

Enquanto não chega esse calor infernal vamos usufruindo os prazeres desta estação.

Um abraço e até breve...

sexta-feira, 6 de maio de 2011



Grandes Catástrofes


A história de uma qualquer terra é também feita de acontecimentos tristes e dramáticos. Quantas vezes é tão negativa e dura a marca que esses acontecimentos nos legam, que jamais os poderemos esquecer. A propósito da evocação do tempo, que porventura já  nos escapou há muito, associamos a essa recordação, invariavelmente, também a sina triste da catástrofe que flagelou, impiedosamente e num certo momento, a nossa família, as famílias dos nossos vizinhos e amigos, enfim, o povo da terra que consideramos nossa.


O incêndio no Salão Aurora

O Salão Aurora funcionou onde actualmente está construído o Edifício Campilho e terá sido edificado por Afonso Carvalho – pai de Aurorinha Seixas – em 1928. Documentos fotográficos de 1908, mostram que naquele lugar existiam ao tempo, três majestosos pinheiros mansos envoltos em terreno não agricultado, ladeando a velhinha Estrada Real.
O Salão Aurora era uma moderna casa de espectáculos para a época, onde se faziam teatros e bailes, sempre abrilhantados por grupos musicais da terra, que assim conferiam distracção e proporcionavam prazer aos turistas e, sobretudo, à população de Vidago. Na componente musical intervinha, invariavelmente, gente ligada à família Aguiar, onde, desde sempre, houve pessoas com vocação para a música. Nos últimos dias de  Maio de 1930 um grande incêndio consumiu, num ápice, o Salão Aurora. O célebre Dr. Moreno – médico residente, na altura – habitava no primeiro piso do prédio e possuía no rés-do-chão, o seu consultório que desapareceu, naturalmente, em consequência da grande catástrofe. Naquela época não existiam em Vidago bombeiros. As corporações dos soldados da paz de Chaves e também de Vila Real fizeram o que estava ao seu alcance. O cosmopolita Salão era reduzido a escombros e cinza, em pouco mais de meia hora. Chegou a temer-se que as chamas pudessem propagar-se ao Grande Hotel e também ao Hotel Chaves. Conta-se que, por milagre, os irmãos Lindalva, Afonso e António Seixas, não pereceram no incêndio que devorou todo o edifício. Ainda crianças, encontravam-se dentro de um cesto que os protegia e terão sido retirados à pressa do local do sinistro. Mais tarde e durante algumas décadas, as ruínas do Salão Aurora, dariam guarida a milhares de pombos galegos, que António Carvalho Seixas - filho de Aurorinha e de Antero Seixas – ali criava.


(Edifício do Salão Aurora, primeiro à direita)

in Memórias de Vidago - 2004
Floripo Salvador

quarta-feira, 20 de abril de 2011

1ª Excursão Lisboa/Vidago - 1910

Ontem recebi, através de email, mais um documento "valioso" e da maior importância histórica para esta nossa vila termal. O documento é um folheto de propaganda da antiga empresa Sociedade de Excursões Limitada, na Rua do Alecrim, nº 20 em Lisboa, onde anuncia uma grande excursão a Vidago, pela ocasião das festas de Camões (10 de Junho) e abertura do Vidago Palace Hotel. A saída de Lisboa seria no dia 7 de Junho às 22H10 e o seu regresso no dia 11 de Junho às 6H15, levando assim 3 dias e meio. O preço por pessoa era de 17$500 reis, onde incluía o bilhete de comboio de 1ª classe e todas as despesas necessárias. Esta excursão tinha a recomendação da Sociedade de Propaganda de Portugal,  sociedade fundada em 28 de Fevereiro de 1906.


Resta-me agradecer ao meu amigo Carlos Caria pelo envio de mais uma peça de grande valor para mim e para este blog.

Agora que a chuva voltou depois de uns dias de verão, o provérbio muda: Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado.
Um abraço e até breve...

sábado, 16 de abril de 2011

Hotel Parque - Vidago

Já publiquei vários bilhetes postais dos muitos hotéis que Vidago teve em outros tempos mas estava em falta com o Hotel Parque.


(bilhete postal da edição da Região de Turismo do Alto Tâmega - não circulado)

Originalmente este hotel começou por funcionar como pensão, só em 1948 é que as instalações foram remodeladas e passaram a hotel de uma estrela. Em 1990 este hotel vai sofrer uma profunda e moderna remodelação que durou dois anos. Com todas estas obras, o hotel ficaria com a classificação de 3 estrelas, equipado com 38 quartos, piscina, campo de ténis, campo de futebol e discoteca.

Sobre a discoteca, tenho a certeza que muitos de vocês que recordarão dela, primeiro com o nome de "Satélite" e por fim a "Vatikano".

Antes de me despedir, deixo-vos um provérbio adequado ao calor que se tem sentido nestes dias de Abril: "Seca de Abril deixa o lavrador a pedir".

Um abraço e até breve...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Hotel Avenida

Hoje decidi voltar ao Hotel Avenida, começando por um bilhete postal a preto&branco e depois por um a cores.

(bilhete postal da edição de Augusto Rodrigues-Vidago - não circulado)



(bilhete postal da edição da Região de Turismo do Alto Tâmega - não circulado)

Esta edição foi a última a ser vendida deste hotel antes do mesmo fechar as suas portas no final do século passado.

Hoje, o hotel encontra-se fechado e cheio de rugas, na esperança de voltar aos ambientes vividos como se vê no primeiro bilhete postal.

Um abraço e até breve...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vidago Palace Hotel - Verão de 1918


(bilhete postal da edição da casa de fazendas e mercearia de António Fraga-Vidago - 14/08/1918)


Desta vez o nosso bilhete postal foi parar às mãos do então Governador do Banco de Portugal, Dr. Inocêncio Camacho Rodrigues.

Tudo se passa em pleno mês de Agosto de 1918 quando um aquista escreve, neste bilhete postal, a seguinte frase "... posso ao menos constatar que cheguei ao meio d´este paraízo que é uma cura em Vidago...".

Depois de tantos anos podemos dizer que o paraíso continua neste pequeno recanto de Portugal, basta vontade...



Inocêncio Camacho Rodrigues (Moura, 1867- 1943)

Governador do Banco de Portugal entre 1911 e 1936 - Político, Professor da Faculdade de Ciências, Jornalista, Director Geral da Fazenda Pública e Ministro das Finanças, Deputado. Colaborador de "A Luta" e "A Pátria".






Um abraço e até breve...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vidago Palace - TSF

Programa NOVA ESTRELAS - TSF

O melhor que se faz no nosso país, no sector público e no sector privado, foi premiado pelo Turismo de Portugal. Os melhores destinos, os melhores hotéis e a melhor gastronomia. Razões de sobra para ouvir de 4 a 14 de Abril, às 09h45 e 16h10, na TSF o turismo de excelência.

O programa de hoje foi dedicado ao nosso Vidago Palace, oiçam...


Clica na imagem para ouvir a emissão

Um trabalho de Joana de Sousa Dias e Herlander Rui, transmitido hoje às 09h45 e 16h10.

Saiba mais sobre os prémios no site Turismo de Portugal


Um abraço e até breve...

sábado, 2 de abril de 2011

1º Raid Fotográfico "Sentir Vidago"

Estão abertas as inscrições para o 1º Raid Fotográfico, intitulado “Sentir Vidago", organizado por este Blog e pela CCV - Casa de Cultura de Vidago e terá lugar na freguesia de Vidago, a 4 de Junho de 2011.

Este Raid fotográfico tem por objectivos a busca valorativa da fotografia enquanto forma de expressão artística dinâmica e multifacetada e estímulo da criatividade daqueles que se dedicam, de forma profissional ou amadora, ao prazer de captar e fixar imagens.


Para consultares o regulamento clica aqui 

Ficha de inscrição directa clica aqui ou fazendo download  da ficha e enviar para o email raidfotografico@gmail.com

Serão premiados os 3 melhores trabalhos com os seguintes prémios:

• 1º Prémio - 1 FIM DE SEMANA (2 PESSOAS) REGIME APA NO HOTEL VIDAGO PALACE*****
 • 2º Prémio - 1 GREENFEE (CAMPO GOLFE) DO HOTEL VIDAGO PALACE*****
 • 3º Prémio - 1 TRATAMENTO NO SPA TERMAL DO HOTEL VIDAGO PALACE*****

Para mais informações contactar o secretariado do concurso através do
966 579 110 / 935 583 131 ou para o email raidfotografico@gmail.com

Este blog agradece, mais uma vez, a parceria do hotel Vidago Palace e os apoios, Junta de Freguesia de Vidago, Chaves Viva, Lumbudus-Associação de Fotografia e Gravura e a Unicer.

Um abraço e não faltes...