domingo, 14 de agosto de 2011

Blog "Meu Vidago" - Férias

Este blog vai estar encerrado a partir de hoje até 1 de Setembro 2011.

Para aqueles que pretenderem contactar o blog, bastará enviar um email para vidago@iol.pt



Um abraço e até Setembro...

sábado, 13 de agosto de 2011

Largo Miguel de Carvalho

Hoje, uma imagem sem palavras...


(edição Foto Alves - Chaves - sem data)

Um abraço e até breve...

domingo, 7 de agosto de 2011

Carta do Leitor

Texto do meu amigo António Rodrigues, hoje a viver na Gafanha da Nazaré (Ílhavo).

O Andorinha

Vivi em Vidago parte da infância, a minha adolescência e um pouco da idade adulta, e, embora não tenha nascido na terra, é daqui que sou. Dizem que somos do lugar onde fomos felizes e que idade mais feliz há que a da nossa meninice?

As brincadeiras da rua tinham a bola principal razão das nossas vidas e, ao domingo ver o Vidago F.C. era o culminar desta paixão absoluta pelo futebol. Eu e os outros miúdos, cedo nos habituamos aos ídolos locais: o Andorinha na baliza ou na frente, a velocidade do Armando no ataque, a autoridade do Roxo na defesa, as fintas do Mário Cardoso…

O Andorinha tinha uma claque de mulheres junto à lateral perto da baliza, que gritavam sempre que a bola sobrevoava a pequena área e só sossegavam ao vê-lo pegá-la. Ao mais pequeno encosto que sofresse, havia pronta na boca meia dúzia de mimos, para saberem quem era intocável dentro do campo. Quando as coisas não corriam muito bem para a equipa, lá ia o Andorinha para o ataque tentar alterar a situação. Era ainda o capitão da equipa e tinha mais a qualidade, fruto da sua actividade como técnico de farmácia, de acudir a qualquer situação, acidente ou lesão de qualquer atleta em campo, fosse ele da casa ou adversário. Tanta coisa para um homem só!

Ao longo dos muitos anos que jogou no clube deixou também um rasto de simpatia, dedicação e de integridade. Lembro-me de ver o Vidago jogar fora, e ele chegar a ser também acarinhado pelo público da equipa adversária ao fazer qualquer defesa. Em vez das tradicionais bocas, recebia um comentário brejeiro, do género de que estava era com sorte a mais e que mais tarde ou mais cedo lá haveria de sofrer o golito. Ora isto, fora de portas, no futebol não é coisa que se veja todos os dias…


(Equipa do VFC de 1975 - Capitão Andorinha)

Há uns tempos atrás, aqui perto de Aveiro, onde resido, fui buscar o meu filho ao treino do futebol e, enquanto esperava, à conversa com outros pais, recebi um comentário de um deles ao saber que eu era de Vidago: - Ouça lá! Você sabe quem é o Andorinha?


(Equipa do VFC de 1982 - Capitão Andorinha)

Depois do futebol, António Manuel Pires de Almeida, continuou, quer na farmácia, quer como autarca na senda dos triunfos e com óptimos desempenhos ao serviço da população de Vidago. Um excelente exemplo de dedicação e entrega, que lhe deve ter valido não só muitos amigos, mas, seguramente, também, um lugar cimeiro no difícil campeonato do chamado serviço público verdadeiro.


Trata-se de um ilustre vidaguense a quem as gentes de Vidago muito devem!

Tó Rodrigues - 2011

Um abraço e até breve...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Festa de Vidago - início 1960

O post de hoje vai ser elaborado num café de Vidago, uma vez que me encontro de férias neste magnífico Vidago.

Como este fim de semana são as festas da vila, nada menos que uma fotografia para alguns vidaguenses recordarem as suas infâncias.

Graças a um grande vidaguense, que está ao meu lado, foi-me possível identificar praticamente todos os fotografados que numa das festas de Vidago, início de 1960, figuravam nesta procissão.

Agora, fico à espera que os mesmos se identifiquem!



Quero aqui deixar os meus agradecimentos ao café restaurante O Resineiro pelo acesso à Internet e ao meu amigo António Lobo da Silva pelo envio desta fotografia.

Um abraço e até breve...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Agenda - Brindes de "Águas de Vidago"

No passado dia 29 de Outubro de 2009, fiz um post com duas agendas de bolso, uma de 1958 e outra de 1959. hoje, trago-vos aqui uma de 1962 comprada na semana passada.


(Brinde "Águas de Vidago" - Gráfica Bolhão Porto - 60.000 ex. Dez. 1961)

O que acham deste grafismo da frente e verso da agenda? Bonito, não é?

Um abraço e até breve...

domingo, 24 de julho de 2011

Convite - Exposição "Sentir Vidago"


Este blog e a Casa da Cultura de Vidago conta a vossa presença para mais uma exposição subordinada ao tema "Vidago".

Esta exposição contará com todas as fotografias que foram a concurso no 1º Raid Fotográfico "Sentir Vidago", realizado no passado dia 4 de Junho, na vila de Vidago.

Esta exposição passará pelo hotel Vidago Palace, mas ainda sem data designada.

A entrada é gratuita.

Um abraço e até breve...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Receita - 1912

Para quem nunca viu uma receita de água de Vidago...


Esta receita é da antiga farmácia José Lucio Correia da Fonseca, Sucessor, localizada em Beja.

Um abraço e até breve...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Golfe Vidago (3)

O golfe foi difundido no continente Europeu, bem como, na América e na Ásia, pelos emigrantes escoceses e ingleses, que ao chegar aos seus destinos, procuravam criar um clube e obter um terreno para construir o seu campo de golfe.

Assim aconteceu em Portugal em fins do Sec. XIX. A colónia inglesa, que vivia no Porto, e se dedicava à produção e comércio do vinho do Porto, introduziu o golfe em Portugal ao criar, em 1890, em Espinho, o Oporto Niblicks Club. Em Lisboa, são os funcionários britânicos das companhias de telefones e dos transportes ferroviários que fundam, em 1922, o Lisbon Sports Club, hoje sediado em Belas.

Em Vidago, o campo de golfe foi construído em 1936, cujo o projecto se deve ao escocês e arquitecto de golfe Philip Mackenzie Ross (1890-1974). Em 1971 Ross foi eleito o primeiro presidente da Associação Britânica de Arquitectos de golfe.

Mais uma imagem do campo de golfe de Vidago, que pessoalmente acho muito interessante, não acha?


Um abraço e até breve...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bebendo na Fonte de Vidago - 1907

A fotografia, de hoje, tem 104 anos e foi integrada na reportagem "Vidago: a bela estância de águas", da revista Ilustração Portuguesa, Lisboa, Nº 80 de 02/09/1907, página 301.

O autor desta fotografia foi o Sr. Joshua Benoliel (1873/1932), fotógrafo e jornalista de Portugal, considerado por muitos o maior fotógrafo português do início do século XX. Trabalhou para o jornal O Século e para a revista do mesmo jornal, a Ilustração Portugueza, bem como, para o Ocidente e Panorama, revistas da altura.

E por falar em beber, vou também beber umas águas de Vidago frescas, não directamente da fonte, mas da garrafa, para matar a sede.

Um abraço e até já...

domingo, 17 de julho de 2011


RESINEIROS DO JUNCAL

(CONTINUAÇÃO)


A Indústria Resineira em Portugal:
- Um pouco de história!
O Pinhal de Leiria

Ao longo dos tempos sempre se associaram a actividade resinosa e os resineiros ao distrito de Leiria. Este facto acontece com certa lógica. Foi sempre uma região de grande densidade de pinheiro bravo, espécie arbórea que, esmagadoramente, contribui para a extracção da resina. O designado Pinhal de Leiria, com origens remotas, é a mata do Estado com maior protagonismo em todo o continente português. Envolve a cidade a norte, a sul e a oeste. Chegou a ocupar uma área aproximada de 12.000 ha. Trata-se de uma enormíssima extensão de 18 km de comprimento por 7 de largura, mais ou menos delimitada entre o vale de Madeiros e a foz do rio Lis.
O Pinhal de Leiria foi sendo, pelos tempos fora, como seria exigido, objecto de variadas acções visando a sua preservação: efectuaram-se regulares sementeiras para substituição de árvores velhas ou abatidas; também pontuais desbastes como forma de corrigir a concentração das espécies e ainda se procedeu ao derrube de árvores no sentido de abrir caminhos que permitissem um mais eficaz combate a incêndios e a propagação destes.
Deve referir-se o facto de o Pinhal de Leiria, no início do século XIX, haver sofrido um largo período de decadência. Foi vítima de alguma desorganização estatal provocada pelas Invasões Francesas, mas também porque houve grandes queimadas em 1806 e 1814. Dez anos mais tarde, por via de adequada regulamentação, o Pinhal de Leiria voltou a ter condições de estabilidade.
Não é pacífico atribuir a razão da existência do Pinhal de Leiria ao Rei D. Dinis. Alguns historiadores admitem a existência de relativa concentração arbórea, naquela região, há já milhares de anos. O que parece não haver dúvida é que o Pinhal de Leiria fez parte da doação de Leiria à Rainha Santa Isabel. E, também, que no tempo daquele monarca foram efectuadas algumas sementeiras de pinhão, alargando a sua área aproveitando o vasto areal. Também é certo que, ainda na primeira dinastia, o Pinhal de Leiria já fornecia muita madeira para a construção, principalmente, de barcos.
A Resina

Desde o seu início, a actividade resinosa começou por contribuir para a fixação do homem em zonas em vias de desertificação ou, mesmo até, já desertas. Os resineiros acabavam por desempenhar, na sua acção diária, um papel importante na vigilância das matas, prevenindo incêndios florestais e dando importante contributo na limpeza das mesmas.
Em 1858 era Administrador-Geral das Matas do Reino, José de Melo Gouveia. O então governante ordenou a instalação na Marinha Grande da primeira fábrica de resina, onde hoje funciona o Mercado Municipal.
Não obstante haver indícios de actividade resinosa, já no início do século XIX, a indústria resineira, propriamente dita, em PortugaI ter-se-á iniciado em princípios do século XIX. Refira-se que o Pinhal de Leiria já fornecia nas décadas de 30 e 40daquele século muito alcatrão, pez cozido e pez cru. Por volta de 1812 surge uma primeira determinação para, nos pinhais de Leiria, se efectuarem sangrias em árvores inúteis e rajudas. Nessa altura seriam afectados apenas 80.000 pinheiros. Naquele tempo muita madeira de pinheiro era utilizada na construção naval que era da responsabilidade do Ministério da Marinha. Os métodos utilizados na extracção da resina eram muito agressivos para as árvores. Foi então que por volta de 1832 o Estado aconselhou alguma moderação na actividade resinosa em matéria de extracção. Mais tarde, corria o ano de 1880, o governante Fontes Pereira de Melo impôs mesmo o fim da actividade com o argumento de que a mesma era nociva aos pinhais.
Nas primeiras décadas do século XX houve a preocupação de conferir formação aos resineiros com o objectivo de não ferir a árvore com profundidade. Era imperioso que também a sua incisão não se alargasse para além do estritamente necessário. A ausência destes cuidados levaria, inevitavelmente, a um fim precoce do pinheiro.
Deve relevar-se o facto de a resina ter desempenhado, em grande parte do século anterior, um importantíssimo papel na actividade económica do nosso País. Da quantidade de produtos oriundos da destilação de resinas houve um especial destaque do Pez e da Aguarrás.
As Fábricas

Por volta de 1910 já existia a Fábrica de Produtos Resinosos - Manuel Henriques Júnior, instalada na margem direita do rio Arunca em Pombal. Mais tarde, esta relevante figura da indústria da resina em Portugal, construiria a sua residência junto à fábrica.
Por volta de 1935 haveria em Portugal um número aproximado de 115 fábricas de resina. Nesse ano laboravam, em Pombal e em Ermesinde, as fábricas da União Resineira Portuguesa, cuja sede era na Rua dos Fanqueiros, 30 em Lisboa.
Pouco antes do início da II Guerra Mundial (1938), a Companhia de Produtos Resinosos, de Manuel Henriques Júnior e com sede em Pombal possuía as fábricas de Pombal, Óbidos, Vila de Rei, Famalicão, Bodiosa, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Pequeno, que integrariam, mais tarde, a SOCER - Sociedade Central de Resinas.
Por volta de 1945 existiam em Portugal umas 124 fábricas de resina, algumas delas, de frágil consistência e de pequena capacidade de produção. As mais relevantes da época eram a CIR (Companhia Industrial Resineira) laborando em Campanhã e Santa Comba Dão; a CPR (Companhia de Produtos Resinosos); a URP (União Resineira Portuguesa); a RN (Resinagem Nacional); a SFPR (Sociedade Fabril de Produtos Resinosos) e a SRA (Sociedade Resineira da Anadia).
Em 1953 aCompanhia de Produtos Resinosos tinha sede na Rua de S. Nicolau, nº. 102, 1º. Porém, no ano seguinte, a sede regressava a Pombal.
Em 1953 nasceu a SOCER – Sociedade Central de Resinas, SARL, com sede na Avenida da Liberdade, 222 – 2º. em Lisboa. Resultou da fusão das empresas, Companhia de Produtos Resinosos, União Resineira Portuguesa e Companhia Industrial de Resinas.
Comendador, Manuel Henriques Júnior

- Um ícon da resinagem!
Natural da freguesia e concelho de Pombal. Nasceu em 10 de Novembro de 1886 e faleceu em 23 de Dezembro de 1965. Este industrial de resinas, que também foi banqueiro, teve na resina o seu primeiro, grande e último empreendimento. Foi administrador do Banco Pinto & Sotto Mayore, na sua terra, fez questão de abrir uma agência bancária. Ali desenvolveu a sua actividade e contribuiu, enormemente, para o desenvolvimento económico e social da terra que o viu nascer.
Por volta de 1957 passou a deter a maioria das acções da SOCER. Implementou as bases da indústria de resinas sintéticas, a RESIQUÍMICA. Em 1959 enfrentou o dilema de ter de fazer opção por um dos seus principais ramos de negócio: a banca ou as resinas. Contrariando a vontade dos seus três genros, que opinavam pela preferência da venda das resinas, mantendo o banco na família, Manuel Henriques Júnior decidiu-se pelo seu verdadeiro amor! Vendeu o Banco Pinto & Sotto Mayor a António Champalimaud e manteve as resinas.
Na sua empresa criou, para aquela época, excelentes condições de segurança, higiene e bem-estar social para todos os trabalhadores. Conferiu uma considerável dimensão social e filantrópica à sua empresa, para aquele tempo. Foi um grande industrial do século XX. Em 1936 foi nomeado para a Junta dos Produtos Resinosos. Esteve ligado à actividade da resina durante meio século.
Nota final

Por fim será de toda a justiça dar os sinceros parabéns ao Juncal pela comemoração dos quatrocentos e cinquenta anos da sua elevação a freguesia. Em minha opinião, esta terra, outrora, de oleiros, serradores e resineiros desenvolveu-se muito. A vila do Juncal é sossegada, airosa e simpática. A sua gente é simples mas afável, solidária e laboriosa. É, sem dúvida, merecedora desta bonita homenagem.
Não será de mais, todos louvarmos a organização deste evento. Ele contribuirá para a preservação de algumas das ricas memórias desta freguesia e da sua gente.
Maio de 2010
Floripo Virgílio Salvador (natural do Juncal).