sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Termalismo público em Vidago - O regresso

Acabou de chegar-me uma notícia de um amigo que trabalha no semanário Expresso sobre o regresso do termalismo público em Vidago. Depois de ler a dita notícia, fiquei contente mas também um pouco apreensivo porque quando estas coisas vêm do lado do poder local, há que desconfiar...
Agora vamos à notícia.

Chaves e Vidago

7 milhões de euros para termalismo público

O termalismo público está de regresso a Vidago. A Câmara Municipal de Chaves e a UNICER estabeleceram uma parceria de colaboração que irá permitir a construção de um balneário termal em Vidago. Mas, os investimentos nesta área não ficam por aqui. Pela primeira vez, a nível nacional, será criado em Chaves um Centro de Competências em Turismo, Termalismo, Saúde e Bem-Estar, ao mesmo tempo que o processo da construção de uma nova unidade hoteleira em Pedras Salgadas, inserida no projecto termal da Unicer, também teve novos avanços.

É um dos maiores investimentos feitos no distrito de Vila Real, no âmbito do termalismo público, que tem como protagonistas a Câmara Municipal de Chaves e a empresa Unicer. Depois de alguns anos de serviço público de termalismo interrompido, a vila de Vidago vai recuperar o seu estatuto e voltar a ser procurada por aquistas e doentes que precisam de tratamentos termais. Esta aposta na qualificação e modernização dos equipamentos termais do concelho, nomeadamente em Chaves e Vidago, foi assumida pelo presidente do Município, João Baptista.

No que concerne a Vidago, apesar da oferta privada da Unicer, a concretização do projecto está a ser aguardada com muita expectativa, sabendo-se do reflexo económico que o termalismo público pode trazer à vila. A interrupção desta oferta, durante alguns anos, provocou no sector do alojamento e restauração muitos prejuízos e obrigou ao encerramento de pensões, residenciais e hotéis.

O novo balneário, a construir, terá características inovadoras, conforme nos adiantou o autarca. "Temos um projecto para um Balneário Termal em Vidago em coordenação com a Unicer. O projecto está a ser ultimado, temos já a aprovação desse projecto no âmbito do PROVER, num montante de 3,3 milhões de euros. Será um investimento num balneário pedagógico, ou seja, um balneário que permita a aprendizagem de práticas termais aos estudantes. Pretendemos formar jovens numa área que é um recurso natural importante. Vidago nasceu com as termas e é para continuar".

A obra terá a duração de 18 a 24 meses e deverá começar em 2012, estando prevista a abertura do balneário em 2014.


José Manuel Cardoso
Será desta vez? A ver vamos...

Um abraço e até breve...

sábado, 15 de outubro de 2011

Igreja de Vidago - Poema

Poema escrito por Ramyro da Fonseca e enviado à esposa, do General António Óscar de Fragoso Carmona (1869-1951), D. Maria do Carmo de Fragoso Carmona, quando a Igreja de Vidago se encontrava em construção.

À Ilma. Exma. Senhora Dona
Maria do Carmo de Fragoso Carmona


No plaino, à luz do sol, inacabada,
Levanta-se a Igreja de Vidago;
a primeira a olhar a Madrugada,
a última no Poente de oiro vago...

Ainda não tem teto nem Altar.
- Guardada pela Noite...E as estrelas
cobrem-na de diamantes, se o Luar
diz missa no seu Livro-de-Horas-Belas...

Fui vê-la num momento de tristeza.
- Também estava bem triste a natureza -
Entrei; depois, parando mesmo ao centro

da nave, em pensamento, - vi-a pronta.
"Que linda!", murmurei, como quem conta:
"Tão pequena! Mas Deus...cabe cá dentro".

Ramyro da Fonseca


É com este poema que me despeço por hoje e desejo-vos um óptimo domingo.

Um abraço e até breve....

domingo, 9 de outubro de 2011

E ainda as Barragens...

Desta vez, deixo-vos aqui o documento elaborado pela Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, enviado aos nossos amigos da União Europeia contra o Estado Português.

 

Plano Nacional de Barragens
Quercus apresenta queixa à União Europeia relativamente a quatro barragens propostas para o Tâmega

A Quercus enviou no final de Setembro uma queixa formal à União Europeia relativa ao Projecto Hidroeléctrico do Sistema Electroprodutor do Tâmega (SET), por incumprimento da legislação comunitária – nomeadamente a Directiva Quadro da Água e a Directiva Habitats. A queixa vem reforçar uma providência cautelar já em curso sobre o mesmo empreendimento.
O Projecto Hidroeléctrico do Sistema Electroprodutor do Tâmega (SET) compreende as infra-estruturas hidráulicas dos Aproveitamentos Hidroeléctricos de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, cuja construção está prevista no Plano Nacional de Barragens, que contempla um total de 10 barragens (8 das quais encontram-se já adjudicadas).
Este projecto apresenta impactes ambientais muito significativos, entre os quais a transformação, fragmentação e degradação dos ecossistemas na bacia do rio Tâmega, incluindo a criação de barreiras incontornáveis para espécies migradoras como a enguia (já dizimada nas bacias do Douro e do Tâmega) e a degradação dos habitats de algumas das últimas alcateias do lobo – espécie classificada em Portugal como “Em Perigo”.
A Quercus considera pois que o Projecto Hidroeléctrico do SET apresenta um balanço negativo de interesse público em termos ambientais e sociais – devido em parte aos impactes negativos, como as perdas irreversíveis de habitats de espécies ameaçadas ou a retenção dos sedimentos, com graves consequências na erosão costeira, para os quais não foi ainda realizado um verdadeiro estudo do balanço custo/benefício. A base de argumentação para o benefício de interesse público (geração de renováveis e redução da dependência energética externa) não está devidamente comprovada e carece de um estudo de alternativas para estes efeitos, que não foi efectuado. Será colocado em causa, de forma permanente e irreversível, o cumprimento dos objectivos de bom estado ecológico noutras sub-bacias das bacias do Tâmega e do Douro devido aos impactes cumulativos sobre a qualidade ecológica das águas.

Directiva Quadro da Água e Directivas Habitats e Aves em causa

O projecto do SET provocará um aumento significativo da poluição nas águas superficiais, conduzindo à deterioração da qualidade da água em todo o curso do rio Tâmega e colocando em causa a possibilidade de melhorar a qualidade das águas de toda a extensão dos rios Tâmega e Douro, a jusante dos empreendimentos. É de relembrar que a Directiva Quadro da Água obriga a atingir o bom estado ecológico das águas em 2015, objectivo esse que o Projecto do SET objectivamente coloca em causa.

Em causa estão também impactes irreversíveis e dificilmente compensáveis sobre várias espécies migratórias – como a truta-marisca e a enguia-europeia, espécies ameaçadas que estão classificadas no “Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal”, como “Criticamente em perigo” e “Em perigo”, respectivamente.

A zona afectada pelo empreendimento abrange um elevado número de habitats aquáticos e terrestres da bacia do Tâmega, incluindo habitats dos quais dependem espécies como o lobo, a toupeira-de-água, a lontra e várias espécies de morcegos e libélulas, muitas das quais espécies prioritárias e cuja conservação é primordial em toda a Europa.
A construção do empreendimento afecta também de forma muito negativa o Sítio de Importância Comunitária (SIC) Alvão-Marão, conforme reconhecido no próprio Estudo de Impacte Ambiental que refere que “as áreas a submergir implicam a afectaçã̃o de extensas áreas de habitat com importante valor conservacionista”.

Comissão de Avaliação emitiu parecer desfavorável a todas as alternativas
Com efeito, o ICNB emtiu parecer desfavorável a todo o projecto dos Aproveitamentos Hidroeléctricos do SET, dados os impactes negativos identificados sobre os valores naturais da bacia do rio Tâmega e também sobre o SIC Alvão-Marão, nomeadamente sobre a integridade dos habitats prioritários e sobre o lobo, espécie prioritária para a conservação.

Este parecer do ICNB levou mesmo a Comissão de Avaliação de Impacte Ambiental (CAIA) a concluir que: “não é possível à CA propor a emissão de parecer favorável para qualquer das alternativas analisadas no EIA, atendendo ao acima exposto, e em particular no que se refere à afectação do sítio de importância comunitária da Rede Natura Alvão-Marão.”

Impactes cumulativos do Projecto não foram avaliados

De referir ainda que não foram tidos em conta os efeitos cumulativos destes empreendimentos no seu conjunto, nem foram associados a outros factores de vulnerabilidade já existentes, como por exemplo a retenção de sedimentos com os decorrentes impactes negativos em toda a bacia do Douro e na zona costeira, e os impactes do projecto em conjunção com outras infraestruturas, como os vários parques eólicos existentes ou projectados. Estes aspectos colocam as infra-estruturas do projecto do SET em incumprimento de várias disposições das Directivas comunitárias sobre Habitats e Água.

Por estes factos, a Quercus considera que o Estado Português se encontra em violação flagrante de várias directivas europeias, nomeadamente a Directiva Quadro da Água, a Directiva Aves e a Directiva Habitats, tendo consequentemente apresentado uma queixa formal à União Europeia relativamente ao Projecto Hidroeléctrico do SET.

Lisboa, 3 de Outubro de 2011

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Hotel Avenida

Hoje, voltamos para os lados da estação e do antigo hotel Avenida. Através deste bilhete postal é possível termos uma pequena noção de como seriam os primeiros anos do hotel e da estação ferroviária.


(Bilhete postal da edição de Germano Augusto Costa - Vidago - não circulado)

Engraçado é vermos toda esta roupa a secar num arame junto à linha, seria roupa do hotel Avenida? Talvez.

Agradeço ao meu amigo Tó Rodrigues por mais esta oferta.

Um abraço e até breve...

domingo, 25 de setembro de 2011

Estações...

Agora que Vidago já não tem mais estações da CP em funcionamento, só nos restam as estações do ano. Bem vindo Outono!


Nota: Vidago era a vila portuguesa com mais paragens ferroviárias, Salus, Vidago e Campilho.

Um abraço e até breve...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

75 anos de Golfe em Vidago

Há mais de um século atrás em Portugal, o golfe era uma modalidade exclusiva de uma mão-cheia de empresários ingleses e outra de aficionados portugueses que aderiram precocemente. Tratava- se de uma elite restrita que se dedicava a este desporto, em campos que deixavam ainda muito a desejar. Desde o pioneiro Oporto Golf Club, passando pelo Club de Golf do Estoril, pelo Club de Golfe de Miramar, até aos campos da Madeira, dos Açores e do Algarve, o golfe foi conquistando território e adeptos de todas as idades.

Em Vidago, essa conquista deu-se em 1936 quando junto ao hotel Vidago Palace Hotel e no vale de Oura nasce o primeiro campo de golfe .

Este campo de golfe, com então 9 buracos, foi redesenhado pela firma Cameron & Powell a partir dum original do famoso e conceptuado arquitecto Mackenzie Ross. Durante as décadas de 30, 40, 50 e 60, o mesmo foi palco de vários torneios muito participados por gente que escolhia Vidago para fazer termas e passar as suas férias de Verão.

Presentemente, o percurso foi totalmente reconstruído de acordo com as especificações da USGA, tendo sido transformado num campo Par 72, potenciando a realização de campeonatos internacionais, mantendo a identidade do desenho original e reflectindo fielmente a beleza, as qualidades únicas para a prática deste desporto, o espírito e o sinal distintivo do lugar.

Uma imagem de marca deste campo são os muros de suporte de todos os tees, construídos em pedra e as árvores centenárias que foram conservadas na sua quase totalidade e que nos dias quentes de verão nos atraem para debaixo do seu manto verde.


(Golfe de Vidago - fotografia do livro Golfe em Portugal - 120 Anos de História)

Para comemorar esta data o Vidago Palace Golfe Course será palco, de 6 a 10 de Outubro, de prestigiantes troféus que, assinalam os 75 anos de Golfe em Vidago.


Para ficar a saber como participar e conhecer todos os detalhes do programa Aceda ao link .
 
 
 

Um abraço e boas tacadas...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Antiga "Casa Africana"

Existiu em Vidago uma casa comercial de nome "Casa Africana", propriedade de Sebastião Gonçalves Pinto e de Lindalva Seixas. Este estabelecimento funcionava como loja de miudezas, retrosaria e de tecidos e a maior parte da sua clientela era do sexo feminino. As senhoras procuravam a Lindalva, principalmente, para esta proceder à apanha de malhas nas meias de vidro, hoje já ninguém faz isto!

O edifício, onde está agora instalado o café Dória, pertenceu a Adelaide de Oliveira Cruz e seu marido José Oliveira e o quarteirão envolvente do edifício foi dos avós paternos de Adelaide Cruz.


(Fotografia da Foto Alves - Chaves)

Um abraço e até breve...

sábado, 10 de setembro de 2011

Largo Meia Laranja

O largo Meia Laranja ficava situado onde actualmente que encontra o posto de turismo, ali mesmo em frente ao antigo Grande Hotel de Vidago.

Em tempos, existiu um muro granítico em forma de meia lua, onde eram presos animais de carga e transporte, principalmente em dias de feira. Também se encontrava uma fonte, feita de propósito, para os referidos animais.
Este largo também serviu, como podemos ver na fotografia abaixo, paragem de camionetas, principalmente no verão devido às sombras das árvores.


(Fotografia da Foto Alves - Chaves)

Para mim, um belo registo feito pela Foto Alves que serviria depois para uma edição de bilhete postal.

Um abraço e até breve...

sábado, 3 de setembro de 2011

Contrastes - Vidago 1911

O mundo é feito de contrastes e estas duas imagens são exemplo disso. Estamos em 1911, um ano depois da implementação da primeira República Portuguesa, quando o fotógrafo Joshua Benoliel (1873/1932) chegou a Vidago de comboio para fotografar a então aldeia, cujo as fotografias serviriam para um artigo da revista Ilustração Portugueza.

Deste artigo, do qual tenho um original, resolvi pegar nestas duas imagens para mostrar os grandes contrastes que marcavam a paisagem social portuguesa, onde nos antípodas de uma classe camponesa vivendo no limiar da subsistência, e do operariado urbano enfrentando condições de vida duras, se nos deparam uma aristocracia fundiária e um grupo de novos ricos com fortunas feitas no comércio e na especulação. Burgueses e aristocratas frequentavam os salões, recolhiam-se nos clubes e no Verão migravam com os seus séquitos para as termas e para as praias.

Contrastes...


Em 1911 a esperança média de vida era de 35,8 anos para homens e 40,0 anos para mulheres, a taxa de analfabetismo entre pessoas com mais de 7 anos era de 69% e o nível da força de trabalho na agricultura era de 62,4%.


Mais abaixo do centro de Vidago, junto ao lago do Vidago Palace Hotel, o cenário era este...
Apesar de todo o movimento sindical durante a primeira República, as desigualdades sociais permaneciam. Enquanto os operários, camponeses e outros trabalhadores continuavam a ter uma vida miserável, nas grandes cidades vivia uma burguesia numerosa e cada vez mais endinheirada.

Um abraço e até breve...