segunda-feira, 5 de setembro de 2016


FÉRIAS DUM JORNALISTA

Hoje estou a pensar num livro escrito em 1943, pelo jornalista João Paulo Freire (Mário). O meu amigo, Dr. Júlio Silva, colecionador apaixonado por tudo quanto alude a Vidago e à região que circunda esta vila termal e, também, responsável pelo blog "MEU VIDAGO", fez chegar às minhas mãos esta verdadeira relíquia. O autor do livro compilou, de forma isenta e cativante umas quantas histórias verídicas relativas a esta região, num tempo bem longínquo (eu nasceria apenas cinco anos depois desta obra ser publicada). FÉRIAS DUM JORNALISTA é um excelente trabalho de pesquisa das diversas facetas que caracterizavam Vidago e seus arredores na década de quarenta do século passado.
O seu trabalho recorda os campeonatos internacionais que, já nesse tempo, se disputavam no Campo de Golfe de Vidago e faz referência à higiene, salubridade e exercício físico, ao ar livre, que a modalidade permite.
Evoca Artur Patrício, fotógrafo e alfarrabista que deu a Vidago muito do seu trabalho e amor. Recorda o génio desta arrebatadora figura que encenava peças teatrais às quais emprestava a sua única figura física como intérprete.
Fala-nos da Praia Fluvial de Vidago e enaltece a sua privilegiada localização. Evidencia-a como um encanto de bom gosto, uma nesga de civilização e um oásis entre paisagens agressivas. Recorda a sua represa, os barquitos de recreio, o salão de chá e uma esplanada encantadora.
O autor sentia um particular carinho por toda a zona de Salus. O Hotel do Golfe era o seu preferido, assim como a respectiva Fonte. Dizia mesmo que quando se desse a atenção a este espaço que se deu a Pedras e Vidago, Salus emergiria pujante.
O livro fala-nos da aldeia de Oura, das suas ruas tortuosas, de casas do século XVIII e de uma sua capela do Cruzeiro. Relata-nos passagens da sua visita à aldeia de Vila Verde e da forma descuidada em que (segundo ele) se encontrava o cemitério local, naquele tempo. Descreve algumas casas apalaçadas e recorda uma com brasão. Evoca a figura do lavrador, Vidal, e da sua produção agrícola, não esquecendo o delicioso melão e o suculento presunto que se comia em sua casa. De Vidago fala-nos do Hotel do Golfe e do seu amigo, Manuel Dias, então director daquela unidade hoteleira. Recorda o lago existente do hotel mas, com muita pena sua, sem peixes que lhe dessem mais vida. Também de Costa Pinto, advogado de Vila Pouca de Aguiar e da conhecida figura do parlamentar, Nicolau Mesquita, nas Pedras Salgadas. Recorda as caminhadas que ambos faziam subindo a serra que dá para a Freixeda e lembra os montanheses que por ali viviam e trabalhavam em situações adversas. Recorda a penosa, mas paisagisticamente bela, viagem de comboio a partir da Régua, para Pedras Salgadas, Vidago e Chaves e descreve os apeadeiros de Oura, Salus e Campilho com algum pormenor, não esquecendo os frequentes incumprimentos dos horários dos comboios da Linha do Corgo, naquela altura. Faz indispensáveis comparações entre as termas de Pedras Salgadas e de Vidago, de então. Comenta o funcionamento do Casino das Pedras Salgadas.
Por último descreve-nos a importância das águas termais de Vidago e Pedras Salgadas no domínio da saúde pública. Revela as especificidades de cada fonte neste domínio, no que concerne às necessidades da infinidade de enfermidades. 
Enfim, ler FÉRIAS DUM JORNALISTA é uma espécie de romagem de saudade a uma estância termal cosmopolita da primeira metade do Século XX. É percorrermos recantos aprazíveis que o desenvolvimento sacrificou. Ao lermos o que este homem escreveu sobre Vidago e arredores sentimos uma certa nostalgia. Porém, conforta-nos o facto de sabermos que não é indispensável ser-se biologicamente vidaguense para que se sinta uma inexplicável paixão por esta terra e sua vizinhança. João Paulo Freire (Mário) foi prova disso mesmo.
Se o leitor desta crónica sente por Vidago o amor que aquele jornalista dizia sentir, procure num qualquer alfarrabista esta obra arrebatadora que narra histórias pitorescas sobre a Estância Termal de Vidago. Não se arrependerá, julgo.




Floripo Salvador
Setembro 2016

domingo, 7 de agosto de 2016

ER(a)MO(s) - Exposição de Gonçalo Chaves Almeida em Vidago


Com o apoio da VidagusTermas e da União das Freguesias de Vidago, Arcossó, Selhariz e Vilarinho das Paranheiras, inaugura no dia 20 de Agosto, pelas 17h00 a Exposição de Fotografia ER(a)MO(s) de Gonçalo Chaves Almeida, na sala de exposições do Balneário Pedagógico de Vidago.

A exposição ER(a)MO(s) retrata dois hotéis abandonados e esquecidos na vila de Vidago, actualmente em ruínas e que, outrora, foram lugares de charme e cheios de vida social, na época em que as termas eram lugares da moda, frequentados por elites.

A Exposição estará patente de 20 de Agosto a 24 de Setembro de 2016

Balneário Pedagógico de Vidago
Rua João de Oliveira 
5425-352 Vigado 
segunda a sábado, 09h00 - 12h30 e 16h00 - 19h00

segunda-feira, 1 de agosto de 2016



EMIGRANTES

Eles aí estão, de novo, a matar saudades dos familiares, dos amigos e da Pátria. Descortina-se nos seus olhos um ar radiante. É Verão. O tempo quente ajuda à diversão e à frequência das belas praias de areia fina. As romarias das aldeias mais recônditas não podem passar sem a presença e colaboração deles. Toda a economia dos locais que frequentam floresce neste mês de Agosto - o mês dos emigrantes por excelência.

Devemos recebê-los com simpatia e carinho. Eles trabalham, arduamente, um ano inteiro em locais longínquos do seu País, aguardando que chegue esta altura. Por cá, distribuem beijos e abraços, convivem com familiares e amigos e conferem a esta estação quente o brilho característico de quem nunca esquece a sua terra.

Um sentimento de gratidão e muito respeito é o que lhes devemos.

Boas férias a todos eles são os votos que os que por cá residem têm obrigação de formular.

Floripo Salvador
1 Agosto 2016



(Autoestrada A24 - foto de Júlio Silva)


domingo, 17 de julho de 2016

quarta-feira, 13 de julho de 2016

ER(a)MO(s) - Exposição de Gonçalo Chaves Almeida

Amanhã, dia 14 de Julho, na Torre da Oliva inaugura a exposição ER(a)MO(s) de Gonçalo Chaves Almeida, no âmbito da Prova de Aptidão Profissional do curso Técnico de Audiovisuais, do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, de São João da Madeira. 

A exposição ER(a)MO(s) retrata dois hotéis abandonados e esquecidos na vila de Vidago, o Hotel Avenida e o Hotel Parque, actualmente em ruínas e que, outrora, foram lugares de charme e cheios de vida social, na época em que as termas eram lugares da moda, frequentados por elites.

Gonçalo Chaves Almeida tem 17 anos e é filho da vidaguense Susana Chaves.



A exposição estará patente de 14 a 20 de Julho 2016

Torre da Oliva, Sala do Laboratório, piso 1 
Rua António José de Oliveira Júnior 591, 3700-204 São João da Madeira
segunda a sexta, 09:00 - 12:30 e 14:00 - 17:30


Foi com muito agrado que cedi as imagens antigas destes dois hotéis para a elaboração deste excelente trabalho. 

Sinto que o Gonçalo voltará a Vidago inspirar-se porque motivos não lhe vão faltar.

Um abraço e até breve...

terça-feira, 12 de julho de 2016

Guia turístico da VM&PS

Boas férias na Estância de Vidago, agora com um novo e moderno balneário para dar resposta aos novos desafios do turismo termal, disponibilizando tratamentos baseados nas actuais tecnologias, integrando a componente pedagógica de investigação e desenvolvimento de práticas termais.





(Guia turístico da gráfica Bolhão Porto - ilustrações de Cruz Caldas)


Um abraço e boas férias...

segunda-feira, 4 de julho de 2016

"Meu Vidago" apoia AquaeSoft - Subida à Ermida





O blog "Meu Vidago", pela primeira vez, vai apoiar a segunda edição da prova AquaeSoft – Subida à Ermida, a realizar no próxima Sábado, dia 9 de Julho pelas 20h00. Esta prova é organizada pela Casa de Cultura de Vidago e está incluída no campeonato regional de rampa. Haverá bons e diversos prémios.






As inscrições podem ser efectuadas online no site 
www.subidaermida.com ou através do contacto 962 184 679, até às 23h59 do dia 07.





Objectivos: Pedalar o mais rápido esta dura rampa, conviver e dinamizar a vila de Vidago!  


(Fotografia da edição de 2015 - Júlio Silva)



Um abraço e até Sábado...

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Hotel do Parque

Hoje, o click da máquina fotográfica leva-nos para o antigo Hotel do Parque. Como esta fotografia é dos anos 50 do séc XX, podemos dizer que o hotel respirava juventude, uma vez que foi remodelado em 1948.



(fotografia original - película "Gaveart")


Um abraço e até breve...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Vidago Palace Hotel - Burricadas

Quando uma imagem vale mais que mil palavras...


(Bilhete postal edição desconhecida - não circulou)

Para quem não leu o meu anterior post sobre as burricadas, clique aqui

Um abraço e até breve...

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quinta de Arcossó - Vinhos com perfil contemporâneo


A paixão faz o vinho

Dissertar sobre o universo gourmet pode levar-nos pelos caminhos da arrogância. É um vírus que se apanha facilmente, até porque, nos tristes tempos que correm, intelectual não é quem conhece as virtudes estilísticas do romance "A Brasileira de Prazins" mas sim quem sabe de vinhos ou conhece as últimas excentricidades dos chefes - esses faróis da modernidade.

Felizmente que a passagem do tempo, a disponibilidade para ouvirmos os outros e a entrada em cena de gente nova a escrever sobre estes domínios funcionam como uma infusão eficaz de humildade. Mas quem nos coloca verdadeiramente em sentido são os produtores porque, por mais que estudemos os assuntos, há sempre alguém que, num qualquer território desconhecido, tem algo para nos ensinar.


A última lição que tive foi dada por Amílcar Salgado, criador da Quinta de Arcossó. Já sabia que Trás-os-Montes tem uma história vitícola que se mede em séculos, mas não sabia que, nos dias de hoje, ainda podemos ver tanta vinha centenária em produção ou adegas construídas no século XVIII, como é o caso do lagar inserido no hotel Casas Novas Countryside Hotel Spa, que impressiona pelo facto dos antigos já conhecerem a importância da lei da gravidade para a feitura de bom vinho.

Amílcar Salgado tem uma vinha em plena produção (12 hectares) e outra (7 hectares) a ser plantada de raiz num território que corre o risco de se transformar num jardim vitícola de grande beleza.

Com actividade profissional na área de finanças, meteu-se na agricultura porque queria provar que é possível criar riqueza com a terra. "Antigamente, nesta terra, os camponeses faziam vinho para outros camponeses, E, eu, o que fiz foi, aproveitando a experiência deles (nunca se deve desprezar), introduzir melhorias técnicas para fazer vinhos com perfil contemporâneo".

Quando arrancou com o projecto, em 2001, tinha umas luzes sobre vinho, mas, hoje, fala de viticultura e enologia como um catedrático. Reconhece que o seu sucesso se deve a Rui Soares (na vinha) e a Francisco Montenegro, na adega, mas passa grande parte do tempo a pesquisar, a ler e a fazer experiências.

Ora, um dos vinhos emblemáticos do produtor é o Quinta de Arcossó Superior Bago a Bago. Não sei se mais alguém fará um vinho como este em Portugal, mas duvido. Reparem na coisa. Ainda o sol não chegou à vinha e já os melhores cachos de Touriga Nacional e Touriga Franca entram na adega. Depois, várias mulheres escolhem os melhores bagos de cada cacho, os quais vão inteiros, para as barricas de madeira de 500 litros. Ficam aqui em ambiente arrefecido num processo que se chama de maceração pelicular durante cinco dias. E só depois é que os bagos vão ser prensados, a pé, dentro das próprias barricas, numa ginástica exigente demorada.

Rompidos os bagos, o mosto fermenta entre 15 e 21 dias. Já transformado em vinho, é retirado das barricas para que nestas sejam colocados os tampos regressando de novo para um estágio de 20 a 22 meses. Ao mercado, o vinho chega cerca de quatro anos após a vindima.

Ouvindo o produtor explicar o processo, imaginei o tempo e dinheiro implicados e tratei de o provocar. Amílcar cheirou um copo que tinha na mão, provou um pouco, fez silêncio e rematou assim, "A vida ensina-me que a perfeição e a competitividade vêm da paixão com o que fazemos as coisas. Sem paixão, nada vale a pena. E eu sou tremendamente apaixonado por isto."

Edgardo Pacheco
in Jornal de Negócios
18 de Junho de 2016






Mais uma vez, meus sinceros parabéns ao amigo Amílcar Salgado, à Quinta de Arcossó e ao Edgardo Pacheco pela vinda a terras do Reino Maravilhoso, descobrir e divulgar esta paixão.


Um abraço e um brinde!