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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Recordando o Livro de João Oliveira Cruz - 1970

A água termal de Vidago

Vidago, tens a virtude,
De ter água milagrosa:
És a fonte da saúde
E és a Estância mais formosa.

Do teu sub-solo profundo,
Brota água medicinal,
A única em todo o mundo,
Injectável, natural.

Foi prémio da natureza
Dado à gente portuguesa,
Em Vidago, Portugal.

E nenhum outro país
Neste mundo é tão feliz
Com água assim mineral.

Major Gonçalves dos Santos - 1967

Poema retirado do livro "Vidago - Sua história, origem e formação" de João Oliveira Cruz, página 102.



(bilhete postal - Fonte nº 2 antes da construção do actual edifício - não circulou) 


Um abraço e até breve...

sábado, 21 de março de 2015

Primavera à moda de Torga e de Cruz Caldas

Ontem, sexta-feira, foi animada no que a fenómenos cosmológicos diz respeito. O hemisfério norte (nomeadamente Europa e Ásia e norte de África) presenciou em 24 horas a três momentos interessantes: um eclipse solar, a “super-lua” e o equinócio de Primavera.

Para começar este primeiro dia de Primavera, fica aqui o meu click fotográfico acompanhado de dois belos poemas do nosso Miguel Torga.



Depois do Inverno,
morte figurada,
A primavera,
uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.

Miguel Torga









Não sei que tem a luz da primavera, . .
Que me embebeda!
Será que eu bebo por telepatia
A alegria
Do vinho que há-de vir?
Embriagado ando, de certeza...
A cair,
Só de ver outro sol na natureza.

Miguel Torga


Primavera de outros tempos, à moda de Cruz Caldas.



Esboço a aguarela para calendário de parede da Empresa Melgaço Vidago & Pedras Salgadas. Ilustração de Cruz Caldas enquanto empregado, litógrafo maquetista, na Empresa do Bolhão, no Porto.


Um abraço e até breve...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014



VIDAGO PALACE 

Quanta beleza
Nos mostra a natureza
Quanto encanto
Nos descobre o seu manto!

Tuas pedras endeusadas
De existência secular
Lembram míticas fadas
Por ali a pairar!

Quantos amores escondidos
Em romances envolvidos
E em tempos de devaneio
Albergaste no teu seio!

Quantas mulheres belas
De silhuetas formosas
Sob copas frondosas
Viveram sonhos de amor
Dignos de figurar em telas
Em quadros multicolor!

Foste palco nupcial
Em majestosa escadaria
Em tarde dominical
Escolhendo tua fantasia
Fazia-se a fotografia
Guardando-se para sempre
O retrato de tanta gente!

Ouvem-se aves que entoam
Autênticas melodias
E o perfume que paira no ar
À memória nos faz chegar
Toda a tua história secular
De tempos que voam
Na espuma dos dias!

No fundo de um vale serrano
Desafias pintores e telas
A contar infinitas janelas
Tantas como dias tem o ano!

Como é interessante visitar-te
E delicioso conhecer-te
Depois, é fácil amar-te
Difícil ignorar-te
Imperioso divulgar-te
E impossível esquecer-te!


Floripo Salvador
Novembro 2014


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cruz Caldas, o publicitário ao serviço da VM&PS (7)


VOZ

Coimbra, 6 de Abril de 1943

Era o céu que sorria nos seus olhos,
Eram junquilhos trémulos aos molhos,
As flores do rosto que eu beijava.
Fresca e gratuita como um hino à lua,
Nua,
Era um mundo de paz que se entregava.
Oh! perfume da Vida! – gritei eu.
Oh! seara de trigo por abrir,
Quem te fez todo o pão da minha fome?
Mas, os seus braços, longos e contentes,
Só responderam, quentes:
- Come.

           Miguel Torga, "Diário II"



Esboço a aguarela para publicidade às Águas de Vidago, por Cruz Caldas enquanto empregado, litógrafo maquetista, na Empresa do Bolhão, no Porto.

Um abraço e até breve...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A água termal de Vidago - Soneto



Vidago, tens a virtude,
De ter água milagrosa:
És a fonte da saúde
E és a Estância mais formosa.

Do teu sub-solo profundo
Brota água medicinal,
A única em todo o mundo,
Injectável, natural.

Foi prémio da natureza
Dado à gente portuguesa,
Em Vidago, Portugal

E nenhum outro país
Neste mundo é tão feliz
Com água assim mineral.

Major Gonçalves dos Santos (1967)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ponte sobre o rio Oura

Rouxinol da Ribeira d´Oura

Canta, canta, rouxinol,
Canta essa canção triunfal.
Não te enganes no teu canto,
Rouxinol cinzento, de voz primordial.

Canta, canta, uma canção vidaguense,
Não chores quando a cantares:
Podes cair à ribeira
E as suas águas podem-te afogar.

Canta sempre, companheiro,
Nos salgueiros da ribeira,
A tua serenata é bela,
Os peixes acordam ao som dela,
Escutando a voz nas margens de areia.

Se o teu cantar é bonito,
Canta, rouxinol pequenino.
Vidago é o teu padrinho
E nele fazes o teu ninho,
Sempre amigo dos teus filhinhos.
Canta, rouxinol, as tuas canções de menino.

                                        (Manuel Joaquim Pereira)



(Bilhete postal da edição de Francisco Costa - Vidago - não circulado)
 
 
Agradeço ao amigo Tó Rodrigues a oferta deste postal.
 
Um abraço e até breve...

sábado, 22 de setembro de 2012

Pe Joaquim Fontoura - Poema


(Vidago - Antiga Estação da CP - Fotografia by Júlio Silva - verão 2012)

 
Vidago, tão lindo friso,
dos Paços do Criador:
Tu nasceste dum sorriso,
nos alvores do Paraíso
Feito de graça e d´amor!
 
                               Pe Joaquim Fontoura
 
 
Um abraço e até breve...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012


Depois de algum tempo de ausência e para começar este novo ano, regresso com mais uma crónica do meu amigo Floripo Salvador. Acabo de receber os seus últimos poemas, sobre Vidago, que foram escritos, com toda a certeza, com muito amor, dedicação e paixão.
Só pode escrever versos assim, quem tem Vidago no coração...

VIDAGO NOSTÁLGICO
           
            I
Foste magia
Em tempo que ardeu
Hoje és nostalgia
De um tempo que morreu!

Foste simples aldeia
No Olmo aninhada
Onde a luz da candeia
Na modesta casa brilhava!

Foste campónio povoado
Onde homens generosos
E do trabalho zelosos
Com o rosto suado
Sustentaram a nobreza
E alimentaram a pobreza!

Tiveste plátanos refrescantes  
E pinheiros mansos frondosos
À sua sombra veraneantes
Gozaram tempos ociosos!

II
Das tuas entranhas
Águas brotaram
De qualidades tamanhas
Que o Mundo admiraram!
Nasceram hotéis e pensões
Vieram muitos aquistas
E também outros turistas
Em inesquecíveis verões!
Foste cura milagreira
De saúde foste fonte
Em terra hospitaleira
Bem cercada de monte!

Tiveste belas amoreiras
Junto à estrada plantadas
Eram amoras de várias cores
Trocadas pelos amores
Em tardes soalheiras
De paixões encantadas!

Foste magia
Em tempo que ardeu
Hoje és nostalgia
De um tempo que morreu!
III

O comboio é uma saudade
Que nos invade nesta idade!
Tiveste máquinas a vapor
Que passavam em muitas terras
E serpenteavam as serras.
Daqui levavam, às vezes, a dor
Mas noutras traziam o amor!
Tiveste estação e apeadeiros
Resta apenas a recordação
Que vais transmitir aos herdeiros
Dessa antiga geração!

Foste magia
Em tempo que ardeu
Hoje és nostalgia
De um tempo que morreu!

IV

Foste banhada por rio
Que durante décadas a fio
A alguns deu de comer
Mas a todos enorme prazer!

Ali se aprendeu a nadar
E a roupa se ia lavar!
E a água com as noras puxada
Os férteis terrenos regava!

Tiveste feiras quinzenais
Dinamizadoras da economia
Onde comerciantes ocasionais
Vendiam tudo o que havia!
Tiveste Escola Agrícola
E também Lagar de Azeite
No rio havia fauna piscícola
Nos prados muita carne e leite!

Foste magia
Em tempo que ardeu
Hoje és nostalgia
De um tempo que morreu!
V
Foste banda musical
Na região, das mais garbosas
Que deu fama a este local
Em festas muito pomposas!

Com músicos bem fardados
E de instrumentos afinados
Belos sons se propagavam
Enquanto populares dançavam!

Foste magia
Em tempo que ardeu
Hoje és nostalgia
De um tempo que morreu!

            VI

Foste praia fluvial
Em tempos cosmopolitas
Onde de todo o Portugal
Recebias elegantes visitas!
De merendas e burricadas
Se fazia uma linda festa
E com as barrigas saciadas
Dormia-se uma bela sesta!

Foste magia
Em tempo que ardeu
Hoje és nostalgia
De um tempo que morreu!

            VII

Do golfe foste nobre
Em viçosos relvados
Onde o rico e o pobre
Nos êxitos eram saudados!

Foste parque esplendoroso
De árvores verdejantes
Com troncos pujantes
E de cume frondoso
Que inspiraram pintores
E esconderam amores!

Foste magia
Em tempo que ardeu
Hoje és nostalgia
De um tempo que morreu!


            VIII

Foste terra de Fiéis
E de uma Santa generosa
Que protegida por S. Simão
E pela Senhora da Conceição
Foi mulher bondosa
Em tempos muito cruéis!
Neste tempo que ocorre
É tudo muito diferente!
A Fé se desvanece
E tão boa gente
Que agora desaparece
Com ela a Fé morre!

Foste magia
Em tempo que ardeu
Hoje és nostalgia
De um tempo que morreu!

Floripo Salvador - Natal  2011

Depois destes minutos de poesia só podemos agradecer ao Floripo este presente de Natal e esperar que Vidago nos continue a contagiar!

Um abraço e até breve...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Água de Vidago e Álvaro de Campos (1929)

DILUENTE

A vizinha do número quatorze ria hoje da porta
De onde há um mês saiu o enterro do filho pequeno.
Ria naturalmente com a alma na cara.
Está certo: é a vida.
A dor não dura porque a dor não dura.
Está certo.
Repito: está certo.
Mas o meu coração não está certo.
O meu coração romântico faz enigmas do egoísmo da vida.

Cá está a lição, ó alma da gente!
Se a mãe esquece o filho que saiu dela e morreu,
Quem se vai dar ao trabalho de se lembrar de mim?
Estou só no mundo, como um peão de cair.
Posso morrer como o orvalho seca.
Por uma arte natural de natureza solar,
Posso morrer à vontade da deslembrança,
Posso morrer como ninguém...
Mas isto dói,
Isto é indecente para quem tem coração...
Isto...
Sim, isto fica-me nas goelas como uma sanduíche com lágrimas...
Gloria? Amor? O anseio de uma alma humana?
Apoteose ás avessas...
Dêem-me Água de Vidago, que eu quero esquecer a Vida!


Álvaro de Campos*
29-08-192

*Álvaro de Campos é um dos heterónimos mais conhecidos do poeta português Fernando Pessoa.


Bonito poema de Álvaro de Campos, e a mim "dêem-me Água de Vidago" para continuar a andar por aqui...

Um abraço e até breve...





























sábado, 15 de outubro de 2011

Igreja de Vidago - Poema

Poema escrito por Ramyro da Fonseca e enviado à esposa, do General António Óscar de Fragoso Carmona (1869-1951), D. Maria do Carmo de Fragoso Carmona, quando a Igreja de Vidago se encontrava em construção.

À Ilma. Exma. Senhora Dona
Maria do Carmo de Fragoso Carmona


No plaino, à luz do sol, inacabada,
Levanta-se a Igreja de Vidago;
a primeira a olhar a Madrugada,
a última no Poente de oiro vago...

Ainda não tem teto nem Altar.
- Guardada pela Noite...E as estrelas
cobrem-na de diamantes, se o Luar
diz missa no seu Livro-de-Horas-Belas...

Fui vê-la num momento de tristeza.
- Também estava bem triste a natureza -
Entrei; depois, parando mesmo ao centro

da nave, em pensamento, - vi-a pronta.
"Que linda!", murmurei, como quem conta:
"Tão pequena! Mas Deus...cabe cá dentro".

Ramyro da Fonseca


É com este poema que me despeço por hoje e desejo-vos um óptimo domingo.

Um abraço e até breve....

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Poema de Rui Manuel Abreu

Como já há muito tempo não publico um poema, hoje decidi publicar mais um escrito por Rui Manuel Abreu.
Gosto deste poema porque também eu deixei de ver a serra e passei a ver o mar mas o meu coração continua serrano.

                      Da Serra ao Mar


                      Deixei minha terra
                      O meu doce lar
                      Já não vejo serra
                      Só já vejo mar.

                      Vejo gaivotas no mar
                      E pombas no meu terraço
                      Parecem no seu voar
                      Trazerem o teu abraço.

                      Eu sonho com a minha terra
                      Ou dou comigo a pensar
                      Que sendo um homem da serra
                      O destino "deu-me" o mar.

                                                            Manuel Meão (pseudónimo de Rui Manuel)


 
(Vidago visto do céu)
Um abraço e até breve....

terça-feira, 15 de junho de 2010

Poema de Manuel Joaquim Pereira

VIDAGO, CANTEIRO DAS FLORES

Ai, ai, ó Vidago
A todos tu queres bem.
Ai, ai, ó Vidago,

Não fazes mal a ninguém.

Ai, ai, ó Vidago,
Jardim de Trás-os-Montes.
Ai, ai, ó Vidago,

Esses teus lindos hotéis, e fontes.

Ai, ai, ó Vidago,

Tens as águas alcalinas.
Ai, ai, ó Vidago,

As tuas águas nunca secam nas minas.

Ai, ai, ó Vidago,
No verão, todos te vêm visitar.
Ai, ai, ó Vidago,
Para os doentes curar.

Ai, ai, ó Vidago, canteiros das flores,
Ai, ai, ó Vidago, cantinho dos amores,
Ai, ai, ó Vidago, terra tão bela,
Ai, ai, ó Vidago, jardim da Primavera,
Ai, ai, ó Vidago, não há outra como ela!

(Manuel Joaquim Pereira)

Manuel Joaquim Pereira, vidaguense de gema, é o autor do livro "Cem anos de história e progresso de um povo (Vidago)" - 1865/1965.

Do prefácio deste livro há um parágrafo que não posso deixar de o transcrever:

"Quanto ao meu trabalho, dou-o em honra do meu querido Vidago; oxalá que a minha voz bata nos vossos corações e vos diga que Vidago é vida e saúde que só nesta santa terra vos podereis vir a orgulhar de a conseguir."

Também eu, tal como o Manuel Joaquim Pereira, espero que a minha voz bata nos vossos corações, porque o trabalho feito neste blog já o dei em honra do meu querido Vidago e claro de todos os vidaguenses e amigos desta vila.

Agradecimentos ao meu amigo Carlos Caria pela oferta deste livro, escrito por um grande e verdadeiro vidaguense. A ti, Manuel Joaquim Pereira, obrigado e descansa em paz.
Um abraço a todos e até amanhã para um bilhete postal.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Meu Vidago - Poema de Rui Manuel Abreu

Tal como eu, o Rui Manuel Abreu, deu como título "Meu Vidago" a um poema que ele escreveu. Nesta altura, não havia estas coisas de blogs, porque se houvesse, talvez, o Rui Manuel o baptizasse também de "Meu Vidago". Com este poema, Rui Manuel demonstra bem a sua paixão e amor por esta vila, e que infelizmente o viu partir com apenas 49 anos.

Meu Vidago

Foi no Olmo que nasceu
Este Vidago que é meu
E a quem eu quero tanto
Alguma coisa perdeu
E que era muito seu
Mas não perde seu encanto.


Da capela da Ermida
Vejo Vidago a meus pés
Oh, terra que me és tão querida
Que bonita que tu és.


E do Olmo se espalhou
Aos pouquinhos aumentou
Esta nossa linda terra
Por isso eu aqui estou
Pois ninguém ainda cantou
As belezas que ela encerra.


A beleza Natural
Que podemos oferecer
É duma beleza tal
Que ninguém pode esquecer.

Manuel Meão (pseudónimo de Rui Manuel)

Rui Manuel Abreu, filho do médico José Manuel Oliveira Abreu (1919-1999), teve uma vida um pouco sofrida devido a uma doença física que o afectou desde do seu nascimento. Quem o queria ver bastava ir ao parque vê-lo passear no seu veículo, adaptado à sua doença, sorrindo sempre a todos quanto o saudavam.
Para ti, Rui Manuel, um muito obrigado do autor do blog "Meu Vidago".