sábado, 31 de dezembro de 2011

Última imagem de 2011

E para terminarmos este ano, o Blog "Meu Vidago" publica a sua última imagem de 2011.

Agradeço aos leitores deste Blog, a todos os comentários deixados aqui e a todos os email recebidos durante 2011, e prometo estar com vocês neste novo ano de 2012.

Um abraço e até 2012...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Festa de Natal da CCV e Entrega do Prémio "Santos Vidago"

O Blog "Meu Vidago" vai, mais uma vez, juntar-se a uma grande iniciativa da Casa da Cultura de Vidago, a entrega do Prémio "Santos Vidago" que integra anualmente a Festa de Natal.
Para quem não sabe, a atribuição do prémio "Santos Vidago" visa distinguir o melhor aluno masculino e feminino do ano lectivo anterior. Este prémio deve-se a um grande vidaguense, João Rodrigues dos Santos Vidago, filho de humildes famílias e que bem cedo partiu para Moçambique, onde graças à sua inteligência e amor ao trabalho, adquiriu uma grande fortuna. Santos Vidago contribui muito para esta Vila, não podemos esquecer os seus donativos à direcção do Vidago Futebol Clube e à Casa do Povo. Pelo seu testamento, que deixou escrito, verificou-se que ele não esqueceu a sua freguesia, legando 100 mil escudos, para que o seu rendimento anual fosse entregue, como prémio da sua aplicação escolar, a dois alunos (um de cada sexo) mais necessitados.



Com o objectivo de elevar os valores relacionados com o ensino e o conhecimento, como factores imprescindível para o futuro destes jovens promissores, o Blog "Meu Vidago" irá, pela 1ª vez, oferecer uma pequena recompensa a estes dois alunos.



Este será, sem dúvida, um momento marcante, quer pelo protagonismo que é dado aos  alunos , que vêem o seu esforço recompensado, quer a todos os que os apoiaram no seu sucesso: os professores e os pais.
Por isso, não falte a esta cerimónia, assim como, à festa de Natal no dia 25, pelas 21 horas, no renovado salão nobre dos Bombeiros Voluntários de Vidago.

Um abraço e até breve...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Empreza das Águas de Vidago - novos preços

Hoje em dia, só ouvimos falar em... novos preços para 2012, novas tarifas a partir de Janeiro, aumento do IVA, etc.. Mas o tema dos "aumentos" já é velho e até as águas da Fonte de Sabroso, que pertenciam à "Empreza das Águas de Vidago", tiveram direito a uma tabela com os novos preços das suas garrafas de 8 decilitros, 1/2 litro e de 1/4 litro. Esta tabela pertenceu à casa "Teixeira & Irmão" de Vila Real e data do ano de 1910.


Desde daí, os preços já foram em Réis, Escudos e Euros mas já se ouve falar no fim do Euro...será?
Bem, por falar em Euros vou ter que ir ao Multibanco levantar alguns!

Abraço e bom fim de semana...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Lago e Parque do Vidago Palace Hotel - 1912

Aqui há dias comprei este bilhete postal e gostei das suas cores. Nunca tinha visto um postal de Vidago tão antigo com esta perfeição de cores. No início, pensei que fosse uma reprodução mas não, está escrito por trás e com o carimbo do Hotel Avenida (local de compra).

Este bilhete postal foi escrito a 13 de Julho de 1912 e enviado para "D. Ritta" que morava no Campo Mártires da Pátria, Lisboa.


(Bilhete postal da edição de Germano A. Costa - Vidago - 13/07/1912)

Um abraço e até breve...

domingo, 27 de novembro de 2011

E porque hoje é Domingo...

E porque hoje é Domingo, é dia de almoçar fora. A ementa só poderia ser transmontana e é da minha responsabilidade!

Ementa:
  • Canja rica de perdiz
  • Pratinhos de alheira, linguiça e presunto laminado
  • Porco estufado com castanhas
  • Pudim de castanhas coberto com nozes de Vidago
  • Café
  • Vinho - Quinta de Arcossó Reserva tinto 2006
  • Águas de Vidago (no fim antes de pagar a conta)

Bem, vou andando para a sala de jantar do Hotel Avenida...

(Bilhete postal da edição de Augusto Rodrigues - Vidago - Foto Alves (Chaves) - 30-07-1947)


Um abraço e até breve...

sábado, 26 de novembro de 2011

Publicidade Vidago

Mais uma imagem do livro "Vidago Palace . 100 anos". Porque as imagens, por vezes, valem mais do que mil palavras...

(Imagem do livro "Vidago Palace . 100 anos" - página 78)

Um abraço e bom fim de semana...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Grande Hotel de Vidago

Há muito tempo que não publicava nada sobre o Grande Hotel de Vidago, não podemos esquecer que foi o primeiro hotel a ser inaugurado em Vidago (1874).

Todos sabemos que é pena este edifício estar fechado e estar em avençado estado de degradação. E o pior é ninguém saber o seu futuro.

Por isso, gostaria de saber a opinião dos leitores sobre "Que futuro gostaria para o nosso Grande Hotel de Vidago"?


(bilhete postal da edição de Francisco Costa - Vidago - made in France - não circulado)

Fico a aguardar as vossas opiniões, bastando para isso deixá-las na caixa dos comentários.

Um abraço e até breve...

sábado, 19 de novembro de 2011

Antiga Piscina do Vidago Palace Hotel

Decidi voltar aos postais da minha colecção e ao olhar para este postal, senti saudades das tardes quentes de verão, passadas na antiga piscina do Vidago Palace Hotel.

Parece que ainda sinto o cheiro dos pinheiros bravos, dos cedros e vem-me à memória a luz do sol reflectindo na água límpida daquela piscina...


(Bilhete postal da edição de Casa Rodrigues - Vidago, Foto Bilus - Chaves - 1970)


E sobre a memória, há uma citação de Fernando Pessoa com a qual concordo plenamente, "A memória é a consciência inserida no tempo."

Um abraço e até breve...

sábado, 12 de novembro de 2011

Publicidade VM&PS

Hoje, vou pedir uma Vidago natural...

(Imagem do livro "Vidago Palace . 100 anos" - página 41)

Um abraço e até já...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Vidago Palace 100 Anos - Livro

Este ano foi lançado no mercado mais um livro sobre o hotel Vidago Palace, o ex-libris de Vidago. Este trabalho deve-se ao escritor Mário de Castro e ao fotógrafo francês Frédéric Ducout. Este album ilustrado está repleto de belas fotografias e de imagens do passado cheias de Glamour. O escritor, após alguns meses de pesquisa, recolheu testemunhos de pessoas e de clientes que durante anos fizeram deste hotel um ponto de encontro e um marco na história do turismo português.




Meses antes da publicação do livro, tive a sorte de conhecer pessoalmente o Mário de Castro, no Vidago Palace, onde partilhamos algumas horas fascinantes sobre o tema "Vidago".

(Capa do livro "Vidago Palace - 100 anos . 1910  2010 - Editor Ramiro Leão)

Algumas imagens que integram este livro foram, com muito gosto, cedidas por mim de forma a enriquecer ainda mais esta obra de peso onde se fala da história, de glamour, de festas mundanas que ficaram célebres nos anais deste hotel e sem esquecer as águas minerais com propriedades terapêuticas que levaram, e continuam a levar, o nome de Vidago aos quatro cantos do mundo.

Em futuros posts serão publicadas imagens deste magnífico album ilustrado.

Um abraço e até breve..

sábado, 5 de novembro de 2011

Escarpas do Tâmega

Hoje vamos voltar ao nosso rio Tâmega com um bilhete postal raro e, apesar, de não ter data, trata-se de um postal com muitas décadas porque é de uma edição muito antiga "Edição de Germano A. Costa - Vidago".

Não sei, ao certo, onde ficarão situadas estas escarpas mas creio que entre a Praia de Vidago e Pinho. Se estiver errado, digam-me!

Um pormenor interessante, consegue-se ver na escarpa esquerda um caçador!


(Bilhete postal edição de Germano A. Costa - não circulado)

Bilhete postal gentilmente emprestado ao Blog "Meu Vidago" pelo amigo e vidaguense Carlos Queirós.

Um abraço e até breve...

domingo, 30 de outubro de 2011

E ainda os 75 anos de Golfe em Vidago

E para continuar as celebrações dos 75 anos de golfe em Vidago, deixo aqui um bilhete postal escrito a 15 de Agosto de 1951, de Vidago para Lisboa.


Legenda: Vidago - (Campo de Golf)
                Uma fase do jogo de campeonato

Bilhete postal gentilmente emprestado ao Blog "Meu Vidago" pelo amigo e vidaguense Carlos Queirós.

Um abraço e boas tacadas...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Água de Vidago e Álvaro de Campos (1929)

DILUENTE

A vizinha do número quatorze ria hoje da porta
De onde há um mês saiu o enterro do filho pequeno.
Ria naturalmente com a alma na cara.
Está certo: é a vida.
A dor não dura porque a dor não dura.
Está certo.
Repito: está certo.
Mas o meu coração não está certo.
O meu coração romântico faz enigmas do egoísmo da vida.

Cá está a lição, ó alma da gente!
Se a mãe esquece o filho que saiu dela e morreu,
Quem se vai dar ao trabalho de se lembrar de mim?
Estou só no mundo, como um peão de cair.
Posso morrer como o orvalho seca.
Por uma arte natural de natureza solar,
Posso morrer à vontade da deslembrança,
Posso morrer como ninguém...
Mas isto dói,
Isto é indecente para quem tem coração...
Isto...
Sim, isto fica-me nas goelas como uma sanduíche com lágrimas...
Gloria? Amor? O anseio de uma alma humana?
Apoteose ás avessas...
Dêem-me Água de Vidago, que eu quero esquecer a Vida!


Álvaro de Campos*
29-08-192

*Álvaro de Campos é um dos heterónimos mais conhecidos do poeta português Fernando Pessoa.


Bonito poema de Álvaro de Campos, e a mim "dêem-me Água de Vidago" para continuar a andar por aqui...

Um abraço e até breve...





























segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Linha do Corgo

Este post é dedicado a todos os amigos, ex-utentes, apaixonados por comboios, defensores do regresso do comboio à linha do Corgo e em especial ao meu amigo Luís Gonçalves, grande lutador da causa "QUEREMOS O REGRESSO DO COMBOIO À LINHA DO CORGO"

Linha do Corgo

A linha do Corgo é de via estreita e ligava as estações da Régua e Chaves, num total de 96,350 Kms.
O desejo dos transmontanos na construção desta linha é demonstrada pelas concessões que chegaram a ser dadas a Maximiliano Shereck (1873) e a Alberto da Cunha Leão e Júlio Cabral (1897) para construção da via-férrea entre Viseu e Vila Real. No entanto, não se conseguiram progressos nesta linha, mas o despacho do Governo de 19 de Dezembro de 1873 e publicado um mês mais tarde, dava permissão a Maximiliano Shereck para construir um caminho-de-ferro americano na Estrada Real nº 7, entre a Régua e Vila Real.

Mais tarde, em 2 de Maio de 1875, e através de escritura esta concessão passa para a Companhia Transmontana, empresa criada para esse efeito pelo anterior concessionário e João V. da Silva, membros da direcção da nova companhia, com sede no Porto.

A Companhia Transmontana iniciou a construção desta linha em 19 de Fevereiro de 1875. Este caminho-de-ferro para caros de sistema americano e puxados por animais iria ter uma extensão de 26,400 Kms., bitola de 900 mm e as seguintes estações: Vila Real, Cumeeira, Banduja, Stª Marta de Penaguião e Régua.
Após a conclusão da sua construção da linha foi inaugurada, num Domingo, 26 de Setembro de 1875. A viagem entre a Régua e Vila Real demorou 2H45!

Só em 1890 é que os transmontanos voltaram a sonhar com um novo caminho-de-ferro para a sua região, com o Governo a decidir quais as linhas a construir a norte do rio Mondego, sendo a linha do Corgo uma das escolhidas e ficando assente que iria somente até Vidago e que esta seria um complemento da linha do Douro. Mas acontece que, no concurso aberto em 1902, previa-se a construção de uma linha ferroviária a começar na Régua, passando por Vila Real, até Chaves, e seguindo até à fronteira com a vizinha Espanha.

A linha, a cargo dos Caminhos de Ferro do Estado, começou a ser construída a partir do dia 17 de Fevereiro de 1903, mas seriam necessários 7 anos para que a 1ª fase fosse concluída. Esta 1ª fase foi inaugurada a 20 de Março de 1910 e chegaria até Vidago, embora o comboio já chegasse a Vila Real, desde 1906.




Devido a perturbação que a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) provocou no nosso País e a indecisão quanto ao trajecto a adoptar até Chaves, só em 28 de Agosto de 1921 é que a locomotiva chegaria a Chaves.





Entre Chaves e Vila Real, a população desta região transmontana servida por este meio de transporte ficaria sem ele, devido ao seu encerramento, a partir de 1 de Janeiro de 1990.

O troço restante, entre a Régua e Vila Real, foi encerrado pela operadora Rede Ferroviária Nacional a 25 de Março de 2009, por questões de segurança, tendo apanhado de surpresa as populações e autarquias que eram servidas por este meio de transporte.

O MCLC - Movimento Cívico pela Defesa da Linha Corgo, já disponibilizou uma Petição Pública pela Linha do Corgo.

Para assinar a Petição basta clicar aqui, é simples e importante.

Um abraço e boas memórias do saudoso Texas...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Termalismo público em Vidago - O regresso

Acabou de chegar-me uma notícia de um amigo que trabalha no semanário Expresso sobre o regresso do termalismo público em Vidago. Depois de ler a dita notícia, fiquei contente mas também um pouco apreensivo porque quando estas coisas vêm do lado do poder local, há que desconfiar...
Agora vamos à notícia.

Chaves e Vidago

7 milhões de euros para termalismo público

O termalismo público está de regresso a Vidago. A Câmara Municipal de Chaves e a UNICER estabeleceram uma parceria de colaboração que irá permitir a construção de um balneário termal em Vidago. Mas, os investimentos nesta área não ficam por aqui. Pela primeira vez, a nível nacional, será criado em Chaves um Centro de Competências em Turismo, Termalismo, Saúde e Bem-Estar, ao mesmo tempo que o processo da construção de uma nova unidade hoteleira em Pedras Salgadas, inserida no projecto termal da Unicer, também teve novos avanços.

É um dos maiores investimentos feitos no distrito de Vila Real, no âmbito do termalismo público, que tem como protagonistas a Câmara Municipal de Chaves e a empresa Unicer. Depois de alguns anos de serviço público de termalismo interrompido, a vila de Vidago vai recuperar o seu estatuto e voltar a ser procurada por aquistas e doentes que precisam de tratamentos termais. Esta aposta na qualificação e modernização dos equipamentos termais do concelho, nomeadamente em Chaves e Vidago, foi assumida pelo presidente do Município, João Baptista.

No que concerne a Vidago, apesar da oferta privada da Unicer, a concretização do projecto está a ser aguardada com muita expectativa, sabendo-se do reflexo económico que o termalismo público pode trazer à vila. A interrupção desta oferta, durante alguns anos, provocou no sector do alojamento e restauração muitos prejuízos e obrigou ao encerramento de pensões, residenciais e hotéis.

O novo balneário, a construir, terá características inovadoras, conforme nos adiantou o autarca. "Temos um projecto para um Balneário Termal em Vidago em coordenação com a Unicer. O projecto está a ser ultimado, temos já a aprovação desse projecto no âmbito do PROVER, num montante de 3,3 milhões de euros. Será um investimento num balneário pedagógico, ou seja, um balneário que permita a aprendizagem de práticas termais aos estudantes. Pretendemos formar jovens numa área que é um recurso natural importante. Vidago nasceu com as termas e é para continuar".

A obra terá a duração de 18 a 24 meses e deverá começar em 2012, estando prevista a abertura do balneário em 2014.


José Manuel Cardoso
Será desta vez? A ver vamos...

Um abraço e até breve...

sábado, 15 de outubro de 2011

Igreja de Vidago - Poema

Poema escrito por Ramyro da Fonseca e enviado à esposa, do General António Óscar de Fragoso Carmona (1869-1951), D. Maria do Carmo de Fragoso Carmona, quando a Igreja de Vidago se encontrava em construção.

À Ilma. Exma. Senhora Dona
Maria do Carmo de Fragoso Carmona


No plaino, à luz do sol, inacabada,
Levanta-se a Igreja de Vidago;
a primeira a olhar a Madrugada,
a última no Poente de oiro vago...

Ainda não tem teto nem Altar.
- Guardada pela Noite...E as estrelas
cobrem-na de diamantes, se o Luar
diz missa no seu Livro-de-Horas-Belas...

Fui vê-la num momento de tristeza.
- Também estava bem triste a natureza -
Entrei; depois, parando mesmo ao centro

da nave, em pensamento, - vi-a pronta.
"Que linda!", murmurei, como quem conta:
"Tão pequena! Mas Deus...cabe cá dentro".

Ramyro da Fonseca


É com este poema que me despeço por hoje e desejo-vos um óptimo domingo.

Um abraço e até breve....

domingo, 9 de outubro de 2011

E ainda as Barragens...

Desta vez, deixo-vos aqui o documento elaborado pela Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, enviado aos nossos amigos da União Europeia contra o Estado Português.

 

Plano Nacional de Barragens
Quercus apresenta queixa à União Europeia relativamente a quatro barragens propostas para o Tâmega

A Quercus enviou no final de Setembro uma queixa formal à União Europeia relativa ao Projecto Hidroeléctrico do Sistema Electroprodutor do Tâmega (SET), por incumprimento da legislação comunitária – nomeadamente a Directiva Quadro da Água e a Directiva Habitats. A queixa vem reforçar uma providência cautelar já em curso sobre o mesmo empreendimento.
O Projecto Hidroeléctrico do Sistema Electroprodutor do Tâmega (SET) compreende as infra-estruturas hidráulicas dos Aproveitamentos Hidroeléctricos de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, cuja construção está prevista no Plano Nacional de Barragens, que contempla um total de 10 barragens (8 das quais encontram-se já adjudicadas).
Este projecto apresenta impactes ambientais muito significativos, entre os quais a transformação, fragmentação e degradação dos ecossistemas na bacia do rio Tâmega, incluindo a criação de barreiras incontornáveis para espécies migradoras como a enguia (já dizimada nas bacias do Douro e do Tâmega) e a degradação dos habitats de algumas das últimas alcateias do lobo – espécie classificada em Portugal como “Em Perigo”.
A Quercus considera pois que o Projecto Hidroeléctrico do SET apresenta um balanço negativo de interesse público em termos ambientais e sociais – devido em parte aos impactes negativos, como as perdas irreversíveis de habitats de espécies ameaçadas ou a retenção dos sedimentos, com graves consequências na erosão costeira, para os quais não foi ainda realizado um verdadeiro estudo do balanço custo/benefício. A base de argumentação para o benefício de interesse público (geração de renováveis e redução da dependência energética externa) não está devidamente comprovada e carece de um estudo de alternativas para estes efeitos, que não foi efectuado. Será colocado em causa, de forma permanente e irreversível, o cumprimento dos objectivos de bom estado ecológico noutras sub-bacias das bacias do Tâmega e do Douro devido aos impactes cumulativos sobre a qualidade ecológica das águas.

Directiva Quadro da Água e Directivas Habitats e Aves em causa

O projecto do SET provocará um aumento significativo da poluição nas águas superficiais, conduzindo à deterioração da qualidade da água em todo o curso do rio Tâmega e colocando em causa a possibilidade de melhorar a qualidade das águas de toda a extensão dos rios Tâmega e Douro, a jusante dos empreendimentos. É de relembrar que a Directiva Quadro da Água obriga a atingir o bom estado ecológico das águas em 2015, objectivo esse que o Projecto do SET objectivamente coloca em causa.

Em causa estão também impactes irreversíveis e dificilmente compensáveis sobre várias espécies migratórias – como a truta-marisca e a enguia-europeia, espécies ameaçadas que estão classificadas no “Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal”, como “Criticamente em perigo” e “Em perigo”, respectivamente.

A zona afectada pelo empreendimento abrange um elevado número de habitats aquáticos e terrestres da bacia do Tâmega, incluindo habitats dos quais dependem espécies como o lobo, a toupeira-de-água, a lontra e várias espécies de morcegos e libélulas, muitas das quais espécies prioritárias e cuja conservação é primordial em toda a Europa.
A construção do empreendimento afecta também de forma muito negativa o Sítio de Importância Comunitária (SIC) Alvão-Marão, conforme reconhecido no próprio Estudo de Impacte Ambiental que refere que “as áreas a submergir implicam a afectaçã̃o de extensas áreas de habitat com importante valor conservacionista”.

Comissão de Avaliação emitiu parecer desfavorável a todas as alternativas
Com efeito, o ICNB emtiu parecer desfavorável a todo o projecto dos Aproveitamentos Hidroeléctricos do SET, dados os impactes negativos identificados sobre os valores naturais da bacia do rio Tâmega e também sobre o SIC Alvão-Marão, nomeadamente sobre a integridade dos habitats prioritários e sobre o lobo, espécie prioritária para a conservação.

Este parecer do ICNB levou mesmo a Comissão de Avaliação de Impacte Ambiental (CAIA) a concluir que: “não é possível à CA propor a emissão de parecer favorável para qualquer das alternativas analisadas no EIA, atendendo ao acima exposto, e em particular no que se refere à afectação do sítio de importância comunitária da Rede Natura Alvão-Marão.”

Impactes cumulativos do Projecto não foram avaliados

De referir ainda que não foram tidos em conta os efeitos cumulativos destes empreendimentos no seu conjunto, nem foram associados a outros factores de vulnerabilidade já existentes, como por exemplo a retenção de sedimentos com os decorrentes impactes negativos em toda a bacia do Douro e na zona costeira, e os impactes do projecto em conjunção com outras infraestruturas, como os vários parques eólicos existentes ou projectados. Estes aspectos colocam as infra-estruturas do projecto do SET em incumprimento de várias disposições das Directivas comunitárias sobre Habitats e Água.

Por estes factos, a Quercus considera que o Estado Português se encontra em violação flagrante de várias directivas europeias, nomeadamente a Directiva Quadro da Água, a Directiva Aves e a Directiva Habitats, tendo consequentemente apresentado uma queixa formal à União Europeia relativamente ao Projecto Hidroeléctrico do SET.

Lisboa, 3 de Outubro de 2011

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Hotel Avenida

Hoje, voltamos para os lados da estação e do antigo hotel Avenida. Através deste bilhete postal é possível termos uma pequena noção de como seriam os primeiros anos do hotel e da estação ferroviária.


(Bilhete postal da edição de Germano Augusto Costa - Vidago - não circulado)

Engraçado é vermos toda esta roupa a secar num arame junto à linha, seria roupa do hotel Avenida? Talvez.

Agradeço ao meu amigo Tó Rodrigues por mais esta oferta.

Um abraço e até breve...

domingo, 25 de setembro de 2011

Estações...

Agora que Vidago já não tem mais estações da CP em funcionamento, só nos restam as estações do ano. Bem vindo Outono!


Nota: Vidago era a vila portuguesa com mais paragens ferroviárias, Salus, Vidago e Campilho.

Um abraço e até breve...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

75 anos de Golfe em Vidago

Há mais de um século atrás em Portugal, o golfe era uma modalidade exclusiva de uma mão-cheia de empresários ingleses e outra de aficionados portugueses que aderiram precocemente. Tratava- se de uma elite restrita que se dedicava a este desporto, em campos que deixavam ainda muito a desejar. Desde o pioneiro Oporto Golf Club, passando pelo Club de Golf do Estoril, pelo Club de Golfe de Miramar, até aos campos da Madeira, dos Açores e do Algarve, o golfe foi conquistando território e adeptos de todas as idades.

Em Vidago, essa conquista deu-se em 1936 quando junto ao hotel Vidago Palace Hotel e no vale de Oura nasce o primeiro campo de golfe .

Este campo de golfe, com então 9 buracos, foi redesenhado pela firma Cameron & Powell a partir dum original do famoso e conceptuado arquitecto Mackenzie Ross. Durante as décadas de 30, 40, 50 e 60, o mesmo foi palco de vários torneios muito participados por gente que escolhia Vidago para fazer termas e passar as suas férias de Verão.

Presentemente, o percurso foi totalmente reconstruído de acordo com as especificações da USGA, tendo sido transformado num campo Par 72, potenciando a realização de campeonatos internacionais, mantendo a identidade do desenho original e reflectindo fielmente a beleza, as qualidades únicas para a prática deste desporto, o espírito e o sinal distintivo do lugar.

Uma imagem de marca deste campo são os muros de suporte de todos os tees, construídos em pedra e as árvores centenárias que foram conservadas na sua quase totalidade e que nos dias quentes de verão nos atraem para debaixo do seu manto verde.


(Golfe de Vidago - fotografia do livro Golfe em Portugal - 120 Anos de História)

Para comemorar esta data o Vidago Palace Golfe Course será palco, de 6 a 10 de Outubro, de prestigiantes troféus que, assinalam os 75 anos de Golfe em Vidago.


Para ficar a saber como participar e conhecer todos os detalhes do programa Aceda ao link .
 
 
 

Um abraço e boas tacadas...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Antiga "Casa Africana"

Existiu em Vidago uma casa comercial de nome "Casa Africana", propriedade de Sebastião Gonçalves Pinto e de Lindalva Seixas. Este estabelecimento funcionava como loja de miudezas, retrosaria e de tecidos e a maior parte da sua clientela era do sexo feminino. As senhoras procuravam a Lindalva, principalmente, para esta proceder à apanha de malhas nas meias de vidro, hoje já ninguém faz isto!

O edifício, onde está agora instalado o café Dória, pertenceu a Adelaide de Oliveira Cruz e seu marido José Oliveira e o quarteirão envolvente do edifício foi dos avós paternos de Adelaide Cruz.


(Fotografia da Foto Alves - Chaves)

Um abraço e até breve...

sábado, 10 de setembro de 2011

Largo Meia Laranja

O largo Meia Laranja ficava situado onde actualmente que encontra o posto de turismo, ali mesmo em frente ao antigo Grande Hotel de Vidago.
Em tempos, existiu um muro granítico em forma de meia lua, onde eram presos animais de carga e transporte, principalmente em dias de feira. Também encontrava-se uma fonte, feita de propósito, para os referidos animais.
Este largo também serviu, como podemos ver na fotografia abaixo, paragem de camionetas, principalmente no verão devido às sombras das árvores.

(Fotografia da Foto Alves - Chaves)

Para mim, um belo registo feito pela Foto Alves que serviria depois para uma edição de bilhete postal.

Um abraço e até breve...

sábado, 3 de setembro de 2011

Contrastes - Vidago 1911

O mundo é feito de contrastes e estas duas imagens são exemplo disso. Estamos em 1911, um ano depois da implementação da primeira República Portuguesa, quando o fotógrafo Joshua Benoliel (1873/1932) chegou a Vidago de comboio para fotografar a então aldeia, cujo as fotografias serviriam para um artigo da revista Ilustração Portugueza.

Deste artigo, do qual tenho um original, resolvi pegar nestas duas imagens para mostrar os grandes contrastes que marcavam a paisagem social portuguesa, onde nos antípodas de uma classe camponesa vivendo no limiar da subsistência, e do operariado urbano enfrentando condições de vida duras, se nos deparam uma aristocracia fundiária e um grupo de novos ricos com fortunas feitas no comércio e na especulação. Burgueses e aristocratas frequentavam os salões, recolhiam-se nos clubes e no Verão migravam com os seus séquitos para as termas e para as praias.

Contrastes...


Em 1911 a esperança média de vida era de 35,8 anos para homens e 40,0 anos para mulheres, a taxa de analfabetismo entre pessoas com mais de 7 anos era de 69% e o nível da força de trabalho na agricultura era de 62,4%.


Mais abaixo do centro de Vidago, junto ao lago do Vidago Palace Hotel, o cenário era este...
Apesar de todo o movimento sindical durante a primeira República, as desigualdades sociais permaneciam. Enquanto os operários, camponeses e outros trabalhadores continuavam a ter uma vida miserável, nas grandes cidades vivia uma burguesia numerosa e cada vez mais endinheirada.

Um abraço e até breve...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Festival - Douro Film Harvest 2011

Ora, cá estou eu de regresso ao trabalho! E nada melhor do que começar com a divulgação de um grande evento que vai passar por Vidago, mas concretamente no hotel Vidago Palace.
Trata-se do Douro Film Harvest 2011 que irá decorrer entre 5 e 11 de Setembro de 2011 na Região do Douro e na Região do Alto Trás os Montes. A organização do evento está a cargo da Turismo do Douro e conta com o apoio do Instituto dos Vinhos do Douro (IVDP), da Estrutura de Missão do Douro (EMD) e do Turismo de Portugal.

Quero chamar a vossa atenção para o seguinte, durante estes dias vários filmes serão exibidos no hotel Vidago Palace, e no dia 9 de Setembro  haverá lugar a ante estreia do Filme “Ayrton Senna”. A receita dos bilhetes de todas as secções exibidas no auditório deste hotel revertirá a favor da causa “Ajude-nos a Ajudar”, dos Bombeiros Voluntários de Vidago.


(Cartaz oficial do DFH - 2011)

De recordar que no passado dia 25 de Agosto, a programação final da terceira edição do Douro Film Harvest (DFH), foi apresentada em Vidago e ficam aqui duas afirmações importantes proferidas pelo Presidente da Turismo do Douro, António Martinho:

"O DFH pretende criar uma interação entre o Douro e Alto Trás-os-Montes para mostrar ao país e ao mundo as “potencialidades” da região".
“A realização do festival no Douro é uma forma de tornar a região mais atrativa, visível e impulsionar mais visitas ao Douro e Alto Trás-os-Montes”.

Para mais informações sobre o festival, visite o site www.dourofilmharvest.com

Pode reservar ou comprar bilhetes para as secções no Vidago Palace em:
Um abraço e bons filmes...

domingo, 14 de agosto de 2011

Blog "Meu Vidago" - Férias

Este blog vai estar encerrado a partir de hoje até 1 de Setembro 2011.

Para aqueles que pretenderem contactar o blog, bastará enviar um email para vidago@iol.pt



Um abraço e até Setembro...

sábado, 13 de agosto de 2011

Largo Miguel de Carvalho

Hoje, uma imagem sem palavras...


(edição Foto Alves - Chaves - sem data)

Um abraço e até breve...

domingo, 7 de agosto de 2011

Carta do Leitor

Texto do meu amigo António Rodrigues, hoje a viver na Gafanha da Nazaré (Ílhavo).

O Andorinha

Vivi em Vidago parte da infância, a minha adolescência e um pouco da idade adulta, e, embora não tenha nascido na terra, é daqui que sou. Dizem que somos do lugar onde fomos felizes e que idade mais feliz há que a da nossa meninice?

As brincadeiras da rua tinham a bola principal razão das nossas vidas e, ao domingo ver o Vidago F.C. era o culminar desta paixão absoluta pelo futebol. Eu e os outros miúdos, cedo nos habituamos aos ídolos locais: o Andorinha na baliza ou na frente, a velocidade do Armando no ataque, a autoridade do Roxo na defesa, as fintas do Mário Cardoso…

O Andorinha tinha uma claque de mulheres junto à lateral perto da baliza, que gritavam sempre que a bola sobrevoava a pequena área e só sossegavam ao vê-lo pegá-la. Ao mais pequeno encosto que sofresse, havia pronta na boca meia dúzia de mimos, para saberem quem era intocável dentro do campo. Quando as coisas não corriam muito bem para a equipa, lá ia o Andorinha para o ataque tentar alterar a situação. Era ainda o capitão da equipa e tinha mais a qualidade, fruto da sua actividade como técnico de farmácia, de acudir a qualquer situação, acidente ou lesão de qualquer atleta em campo, fosse ele da casa ou adversário. Tanta coisa para um homem só!

Ao longo dos muitos anos que jogou no clube deixou também um rasto de simpatia, dedicação e de integridade. Lembro-me de ver o Vidago jogar fora, e ele chegar a ser também acarinhado pelo público da equipa adversária ao fazer qualquer defesa. Em vez das tradicionais bocas, recebia um comentário brejeiro, do género de que estava era com sorte a mais e que mais tarde ou mais cedo lá haveria de sofrer o golito. Ora isto, fora de portas, no futebol não é coisa que se veja todos os dias…


(Equipa do VFC de 1975 - Capitão Andorinha)

Há uns tempos atrás, aqui perto de Aveiro, onde resido, fui buscar o meu filho ao treino do futebol e, enquanto esperava, à conversa com outros pais, recebi um comentário de um deles ao saber que eu era de Vidago: - Ouça lá! Você sabe quem é o Andorinha?


(Equipa do VFC de 1982 - Capitão Andorinha)

Depois do futebol, António Manuel Pires de Almeida, continuou, quer na farmácia, quer como autarca na senda dos triunfos e com óptimos desempenhos ao serviço da população de Vidago. Um excelente exemplo de dedicação e entrega, que lhe deve ter valido não só muitos amigos, mas, seguramente, também, um lugar cimeiro no difícil campeonato do chamado serviço público verdadeiro.


Trata-se de um ilustre vidaguense a quem as gentes de Vidago muito devem!

Tó Rodrigues - 2011

Um abraço e até breve...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Festa de Vidago - início 1960

O post de hoje vai ser elaborado num café de Vidago, uma vez que me encontro de férias neste magnífico Vidago.

Como este fim de semana são as festas da vila, nada menos que uma fotografia para alguns vidaguenses recordarem as suas infâncias.

Graças a um grande vidaguense, que está ao meu lado, foi-me possível identificar praticamente todos os fotografados que numa das festas de Vidago, início de 1960, figuravam nesta procissão.

Agora, fico à espera que os mesmos se identifiquem!



Quero aqui deixar os meus agradecimentos ao café restaurante O Resineiro pelo acesso à Internet e ao meu amigo António Lobo da Silva pelo envio desta fotografia.

Um abraço e até breve...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Agenda - Brindes de "Águas de Vidago"

No passado dia 29 de Outubro de 2009, fiz um post com duas agendas de bolso, uma de 1958 e outra de 1959. hoje, trago-vos aqui uma de 1962 comprada na semana passada.


(Brinde "Águas de Vidago" - Gráfica Bolhão Porto - 60.000 ex. Dez. 1961)

O que acham deste grafismo da frente e verso da agenda? Bonito, não é?

Um abraço e até breve...

domingo, 24 de julho de 2011

Convite - Exposição "Sentir Vidago"


Este blog e a Casa da Cultura de Vidago conta a vossa presença para mais uma exposição subordinada ao tema "Vidago".

Esta exposição contará com todas as fotografias que foram a concurso no 1º Raid Fotográfico "Sentir Vidago", realizado no passado dia 4 de Junho, na vila de Vidago.

Esta exposição passará pelo hotel Vidago Palace, mas ainda sem data designada.

A entrada é gratuita.

Um abraço e até breve...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Receita - 1912

Para quem nunca viu uma receita de água de Vidago...


Esta receita é da antiga farmácia José Lucio Correia da Fonseca, Sucessor, localizada em Beja.

Um abraço e até breve...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Golfe Vidago (3)

O golfe foi difundido no continente Europeu, bem como, na América e na Ásia, pelos emigrantes escoceses e ingleses, que ao chegar aos seus destinos, procuravam criar um clube e obter um terreno para construir o seu campo de golfe.

Assim aconteceu em Portugal em fins do Sec. XIX. A colónia inglesa, que vivia no Porto, e se dedicava à produção e comércio do vinho do Porto, introduziu o golfe em Portugal ao criar, em 1890, em Espinho, o Oporto Niblicks Club. Em Lisboa, são os funcionários britânicos das companhias de telefones e dos transportes ferroviários que fundam, em 1922, o Lisbon Sports Club, hoje sediado em Belas.

Em Vidago, o campo de golfe foi construído em 1936, cujo o projecto se deve ao escocês e arquitecto de golfe Philip Mackenzie Ross (1890-1974). Em 1971 Ross foi eleito o primeiro presidente da Associação Britânica de Arquitectos de golfe.

Mais uma imagem do campo de golfe de Vidago, que pessoalmente acho muito interessante, não acha?


Um abraço e até breve...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Bebendo na Fonte de Vidago - 1907

A fotografia, de hoje, tem 104 anos e foi integrada na reportagem "Vidago: a bela estância de águas", da revista Ilustração Portuguesa, Lisboa, Nº 80 de 02/09/1907, página 301.

O autor desta fotografia foi o Sr. Joshua Benoliel (1873/1932), fotógrafo e jornalista de Portugal, considerado por muitos o maior fotógrafo português do início do século XX. Trabalhou para o jornal O Século e para a revista do mesmo jornal, a Ilustração Portugueza, bem como, para o Ocidente e Panorama, revistas da altura.

E por falar em beber, vou também beber umas águas de Vidago frescas, não directamente da fonte, mas da garrafa, para matar a sede.

Um abraço e até já...

domingo, 17 de julho de 2011


RESINEIROS DO JUNCAL

(CONTINUAÇÃO)


A Indústria Resineira em Portugal:
- Um pouco de história!
O Pinhal de Leiria

Ao longo dos tempos sempre se associaram a actividade resinosa e os resineiros ao distrito de Leiria. Este facto acontece com certa lógica. Foi sempre uma região de grande densidade de pinheiro bravo, espécie arbórea que, esmagadoramente, contribui para a extracção da resina. O designado Pinhal de Leiria, com origens remotas, é a mata do Estado com maior protagonismo em todo o continente português. Envolve a cidade a norte, a sul e a oeste. Chegou a ocupar uma área aproximada de 12.000 ha. Trata-se de uma enormíssima extensão de 18 km de comprimento por 7 de largura, mais ou menos delimitada entre o vale de Madeiros e a foz do rio Lis.
O Pinhal de Leiria foi sendo, pelos tempos fora, como seria exigido, objecto de variadas acções visando a sua preservação: efectuaram-se regulares sementeiras para substituição de árvores velhas ou abatidas; também pontuais desbastes como forma de corrigir a concentração das espécies e ainda se procedeu ao derrube de árvores no sentido de abrir caminhos que permitissem um mais eficaz combate a incêndios e a propagação destes.
Deve referir-se o facto de o Pinhal de Leiria, no início do século XIX, haver sofrido um largo período de decadência. Foi vítima de alguma desorganização estatal provocada pelas Invasões Francesas, mas também porque houve grandes queimadas em 1806 e 1814. Dez anos mais tarde, por via de adequada regulamentação, o Pinhal de Leiria voltou a ter condições de estabilidade.
Não é pacífico atribuir a razão da existência do Pinhal de Leiria ao Rei D. Dinis. Alguns historiadores admitem a existência de relativa concentração arbórea, naquela região, há já milhares de anos. O que parece não haver dúvida é que o Pinhal de Leiria fez parte da doação de Leiria à Rainha Santa Isabel. E, também, que no tempo daquele monarca foram efectuadas algumas sementeiras de pinhão, alargando a sua área aproveitando o vasto areal. Também é certo que, ainda na primeira dinastia, o Pinhal de Leiria já fornecia muita madeira para a construção, principalmente, de barcos.
A Resina

Desde o seu início, a actividade resinosa começou por contribuir para a fixação do homem em zonas em vias de desertificação ou, mesmo até, já desertas. Os resineiros acabavam por desempenhar, na sua acção diária, um papel importante na vigilância das matas, prevenindo incêndios florestais e dando importante contributo na limpeza das mesmas.
Em 1858 era Administrador-Geral das Matas do Reino, José de Melo Gouveia. O então governante ordenou a instalação na Marinha Grande da primeira fábrica de resina, onde hoje funciona o Mercado Municipal.
Não obstante haver indícios de actividade resinosa, já no início do século XIX, a indústria resineira, propriamente dita, em PortugaI ter-se-á iniciado em princípios do século XIX. Refira-se que o Pinhal de Leiria já fornecia nas décadas de 30 e 40daquele século muito alcatrão, pez cozido e pez cru. Por volta de 1812 surge uma primeira determinação para, nos pinhais de Leiria, se efectuarem sangrias em árvores inúteis e rajudas. Nessa altura seriam afectados apenas 80.000 pinheiros. Naquele tempo muita madeira de pinheiro era utilizada na construção naval que era da responsabilidade do Ministério da Marinha. Os métodos utilizados na extracção da resina eram muito agressivos para as árvores. Foi então que por volta de 1832 o Estado aconselhou alguma moderação na actividade resinosa em matéria de extracção. Mais tarde, corria o ano de 1880, o governante Fontes Pereira de Melo impôs mesmo o fim da actividade com o argumento de que a mesma era nociva aos pinhais.
Nas primeiras décadas do século XX houve a preocupação de conferir formação aos resineiros com o objectivo de não ferir a árvore com profundidade. Era imperioso que também a sua incisão não se alargasse para além do estritamente necessário. A ausência destes cuidados levaria, inevitavelmente, a um fim precoce do pinheiro.
Deve relevar-se o facto de a resina ter desempenhado, em grande parte do século anterior, um importantíssimo papel na actividade económica do nosso País. Da quantidade de produtos oriundos da destilação de resinas houve um especial destaque do Pez e da Aguarrás.
As Fábricas

Por volta de 1910 já existia a Fábrica de Produtos Resinosos - Manuel Henriques Júnior, instalada na margem direita do rio Arunca em Pombal. Mais tarde, esta relevante figura da indústria da resina em Portugal, construiria a sua residência junto à fábrica.
Por volta de 1935 haveria em Portugal um número aproximado de 115 fábricas de resina. Nesse ano laboravam, em Pombal e em Ermesinde, as fábricas da União Resineira Portuguesa, cuja sede era na Rua dos Fanqueiros, 30 em Lisboa.
Pouco antes do início da II Guerra Mundial (1938), a Companhia de Produtos Resinosos, de Manuel Henriques Júnior e com sede em Pombal possuía as fábricas de Pombal, Óbidos, Vila de Rei, Famalicão, Bodiosa, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Pequeno, que integrariam, mais tarde, a SOCER - Sociedade Central de Resinas.
Por volta de 1945 existiam em Portugal umas 124 fábricas de resina, algumas delas, de frágil consistência e de pequena capacidade de produção. As mais relevantes da época eram a CIR (Companhia Industrial Resineira) laborando em Campanhã e Santa Comba Dão; a CPR (Companhia de Produtos Resinosos); a URP (União Resineira Portuguesa); a RN (Resinagem Nacional); a SFPR (Sociedade Fabril de Produtos Resinosos) e a SRA (Sociedade Resineira da Anadia).
Em 1953 aCompanhia de Produtos Resinosos tinha sede na Rua de S. Nicolau, nº. 102, 1º. Porém, no ano seguinte, a sede regressava a Pombal.
Em 1953 nasceu a SOCER – Sociedade Central de Resinas, SARL, com sede na Avenida da Liberdade, 222 – 2º. em Lisboa. Resultou da fusão das empresas, Companhia de Produtos Resinosos, União Resineira Portuguesa e Companhia Industrial de Resinas.
Comendador, Manuel Henriques Júnior

- Um ícon da resinagem!
Natural da freguesia e concelho de Pombal. Nasceu em 10 de Novembro de 1886 e faleceu em 23 de Dezembro de 1965. Este industrial de resinas, que também foi banqueiro, teve na resina o seu primeiro, grande e último empreendimento. Foi administrador do Banco Pinto & Sotto Mayore, na sua terra, fez questão de abrir uma agência bancária. Ali desenvolveu a sua actividade e contribuiu, enormemente, para o desenvolvimento económico e social da terra que o viu nascer.
Por volta de 1957 passou a deter a maioria das acções da SOCER. Implementou as bases da indústria de resinas sintéticas, a RESIQUÍMICA. Em 1959 enfrentou o dilema de ter de fazer opção por um dos seus principais ramos de negócio: a banca ou as resinas. Contrariando a vontade dos seus três genros, que opinavam pela preferência da venda das resinas, mantendo o banco na família, Manuel Henriques Júnior decidiu-se pelo seu verdadeiro amor! Vendeu o Banco Pinto & Sotto Mayor a António Champalimaud e manteve as resinas.
Na sua empresa criou, para aquela época, excelentes condições de segurança, higiene e bem-estar social para todos os trabalhadores. Conferiu uma considerável dimensão social e filantrópica à sua empresa, para aquele tempo. Foi um grande industrial do século XX. Em 1936 foi nomeado para a Junta dos Produtos Resinosos. Esteve ligado à actividade da resina durante meio século.
Nota final

Por fim será de toda a justiça dar os sinceros parabéns ao Juncal pela comemoração dos quatrocentos e cinquenta anos da sua elevação a freguesia. Em minha opinião, esta terra, outrora, de oleiros, serradores e resineiros desenvolveu-se muito. A vila do Juncal é sossegada, airosa e simpática. A sua gente é simples mas afável, solidária e laboriosa. É, sem dúvida, merecedora desta bonita homenagem.
Não será de mais, todos louvarmos a organização deste evento. Ele contribuirá para a preservação de algumas das ricas memórias desta freguesia e da sua gente.
Maio de 2010
Floripo Virgílio Salvador (natural do Juncal).